Na boa,
É sério mesmo??
Li isso na internet, no porta curtas, mas de boa, o q você quer com isso?
Com 1.000 dólares (3.000 reais) vc não vai comprar os direitos autorais de um curta 35mm.
Pois evidente o curta vai ser mais caro para o realizador.
Assim sobra comprar filmes em DV.
Será que alguém vai vender um filme por 3.000 reais se for bom mesmo?
Acho que é isso que está procurando.
Porque vc não compra um roteiro? Acho mais fácil. Ainda mais porque vc pode realizar o filme, ou seja, planificar e dar a sua cara a ele; e não comprar feito.
Bom, não te conheço, mas como enviou um email para o meu endereço, estou te enviando minha opnião. Ainda não sei se quer se promover ou se tá falando sério. Se está, é uma pena.
Ou quem sabe está querendo fazer um filme com isto. O que seria uma boa, como "Viva o cinema".
Acho um caminho melhor. Realizar filmes.
Porque se vc está querendo comprar filmes só para ficar "tirando uma" em festivais é muito triste.
Fazer cinema é bom. Viajar pelos festivais também, mas é um pouco vazio se não há arte de verdade. Não acha?
A "indústria" dos festivais pode fazer com que atitudes como esta sejam verdadeiras. Que m...
Mas desconfio que você está pensando em outra coisa. Espero...
Marcius Barbieri
Oi Marcius,
que bom que você respondeu.
Olha, a proposta é séria mesmo.
V. tem razão em dizer que 1000 dólares é pouco. Também acho, mas também sei que 95% do que se produz foi feito com menos que isso e que 98% nunca ganhará 1000 dólares com seu trabalho - os números são um chute, mas intuitivamente me parecem próximos da realidade.
Não me interessam os roteiros, não me interessa dar a minha cara e mais, os filmes que v. vê tem a cara de quem os faz? Me diga quais são que eu estou curioso.
Esse autor que você deseja não existe mais. Ele é só um fetiche hoje.
O filme que eu vier a comprar terá a minha cara como poucos filmes que você encontrar pela frente e, mais, a minha cara muda com muita frequência, ela não é uma imagem fixa que encontra um filme que a represente. Ela é o que eu sou e o que você vê. Além do mais, as imagens que fazemos de quem são? Do mundo que parou na frente da câmera ou dos engenheiros da Sony. O que quero dizer é que este autor todo poderoso que tem uma subjetividade única, intocável e que não tem como ser trocada por valor, não existe. Lidemos com os fatos, é a partir deles que podemos agir.
Sobre se promover, não entendo direito o que é isso. Quero produzir pensamentos e acontecimentos estéticos e o fato de você ter me escrito me força a pensar em diversas coisas, fico feliz com uma ação que provoca a sua ação. Se isso é se promover... não temo a promoção se dela depende minha ação como artista. Tão poucas coisas nos fazem parar um pouco para pensarmos porque fazemos o que fazemos não é mesmo?
Você fala ainda sobre coisas que eu não tenho como discutir; não sei o que é arte de verdade e arte de mentira.
Não sei direito o que é "tirar uma". Mas, não consigo me imaginar como artista sem ser forçando o limite do que acontece. Talvez a única forma de pensar um determinado estado de coisas seja explicitando a sua lógica, se sujando também.
Quanto as festivais, você tem toda razão. Ficamos marginalizados a eles, sem eles nossos filmes desaparecem - praticamente - É triste. Acredito que este projeto provoca os meios institucionalizados de produção - editais - e mediação - festivais. Que é o artista? O que inventa imagens ou que faz a mediação?
Abraços
Cezar Migliorin
O artista é o que se transforma no processo artístico.
Você comprando algo, não se torna um artista. Se torna um comerciante.
Não acredito em uma "cara" para a arte. Pois isso é prisão. Acredito na essência. No estilo.
E com muitas faces. Não sei se me entende.
Quando vemos a filmografia de um artista, podemos ver sua identidade. Ou não??
Se não fosse assim, não reconheceríamos as obras de Van Gogh.
Quanto aos que vem depois e o copiam...
Digo Van Gogh, mas claro, existem muitos outros. Vc me pediu para citar...
Picasso, não?? Chaplin??? Feline???
Talvez você esteja contestando a cinema atual.
Peter Greenway??? Kiarostami??? (não sei se escrevi certo) Kirosaura (tá foda lembra com se escreve...)
Não há nada em comum entre a "Estrada perdida" e "Cidade dos sonhos" de David Lynch??
Os filmes podem não ter a mesma cara, mas não poderiam ser comprados. Quero dizer, podem ser comprados, mas não é qualquer um quem faz.
Você diz que não existe mais este artista. Que é fetiche hoje.
Não falo de cinema comercial americano ou do cinema da Globo filmes.
Falo de artistas. Não estou falando de refrituras visuais.
E mesmo que sejam iguais ao seu ver, não é legal fazer??
Você tem mais prazer em ir a um festival ou em realizar um filme, ou melhor dizendo, ou em participar de um processo artístico de verdade. Onde haja transformação.
Mais uma vez... A arte (para mim, lógico..) só ocorre quando o artista se tranforma no processo de criação. A partir daí, ela (a obra) pode ou não transformar também uma outra pessoa que entrou em contato com ela.
Se um homem pinta um quadro de frutas para vender na rua, não é arte.
Pois não houve nenhuma transformação desta pessoa no processo, só pintou para vender.
O artista muda, claro, justamente por se transformar a cada processo artístico.
Fazer arte propicia isto. A quem faz...
Acho que desistiu muito cedo. Talvez por não ser ou não se considerar um artista.
Acho o que fala sobre as imagens uma grande desculpa. Os enquadramentos podem ser parecidos, iguais; mas você acredita mesmo, se derem um mesmo roteiro para mim e para você; que faremos um filme muito parecido? Só porque usamos a mesma câmera da sony? Ou usamos planos usuais, como primeiro plano e e tc??
Qualquer filme tem a sua cara??
Se neste seu projeto, você estiver procurando a provocação e a discussão sobre este assunto (o que é arte cinematográfica neste momento), perfeito. Aplausos para você.
Mas se o seu objetivo é curtir Festivias, tá mal. Na minha opinião. Estou sendo sincero. Sem brigar nem nada, acho que cada um segue seu caminho. Fico triste por ver que o fim (os festivais) está sendo muito mais valorizado que o meio (processo artístico). Mas isto já é fato...
Li o seu email novamente e ficou ainda a dúvida:
Está fazendo isto para questionar ou para tirar onda, se é que você me entende?
Estou perguntando na boa, na sinceridade. Foi mal se te ofendi, não foi a intenção.
Vou ver "seus" filmes. Fiquei curioso. Procurei no porta-curtas mas não está disponível.
Quem sabe te conheço em algum festival. (risos)
Se ficar com curiosidade de ver os filmes que fiz:
O cego estrangeiro
Sexo virtual tátil
Acho que vão entrar neste mês no porta-curtas.
Sorte no seu projeto. Conversamos mais sobre ele depois. Mesmo que não chegue a lugar nenhum...
Brincadeira, sempre chega a um lugar, mesmo que este seja o caminho individual de cada um.
abraços
marcius
From: cezarmig@visualnet.com.br
Subject: Re: CHAMADA PARA PROJETO
Date: January 25, 2005 8:48:26 PM GMT-03:00
To: marciusbarbieri@hotmail.com
Não sei se você pretendia continuar a conversa, mas me senti tentado.
Cara, não imaginas como tenho me transformado com meus filmes. - e concordo que arte é isso tb.-
Com esse projeto então nem te conto. Nunca um filme me deu tanto trabalho, nunca comunicou tanto, nunca me obrigou a pensar e repensar minhas opcões, nunca me conectou com tantas pessoas tão diferentes, nunca me proporcionou encontros tão ricos.
Na minha experiência como artista acho que nunca tinha criado algo que deixasse as pessoas tão perdidas, tão a procura de um lugar possível para se reestabilizar.
Se é filme, audiovisual ou não, acho que é secundário.
Claro que com roteiros iguais faremos filmes diferentes, mas o que quero dizer é que o que nos difere, o que difere a grande maioria dos diretores, é algo muito menor do que o que os aproxima.
O autor é alguém que está em vários lugares ao mesmo tempo, que se apaga de filme a filme, que não tem essência porque pode se reinventar constantemente.
Desculpa pegar teus exemplos; mas quando Fellini faz Ensaio de Orquestra os críticos procuravam "o verdadeiro Fellini", ou quando Lynch faz Straight Story, a mesma questão... Poderíamos continuar nos exemplos.
Reafirmo tua crítica à importância dos festivais, mas é fruto também de um estados das coisas; não é só no cinema que os mediadores assumiram tanta importância. veja o caso dos curadores nas artes plástica, dos DJs na música e da própria mídia que faz as coisas existirem ou desaparecerem. A novas inventar outras e alternativas mediações.
Questionar ou tirar onda?
Você quer uma resposta mesmo?
Você acha que esse projeto merece ser resumido a essas duas possibilidades?
Nos vemos,
no meu site v. pode ver onde os filmes serão exibidos.
Aguardo teus filmes no Porta Curtas, já ouvi falar do "Cego".
Continuo aberto aos teus bons questionamentos.
Não desisti não, pelo contrário, nunca fui tão intenso.
Abraços
Cezar
Cezar,
Fui ao seu site.
Quanta curiosidade... (risos)
Vi que trabalha com montagem.... Massa... Também estou montando. Vou te enviar um DVD com os filmes que fiz roteiro/direção e as montagens também. Assim, se não te importunar muito, podemos trocar idéias sobre a montagem dos filmes. Uma opnião sua... Afinal estou começando (montei uns 9 curtas). Montagem é uma grande escola.
Vi que montou alguns clipes e longas. Mestrado e doutorado... Então, está sério neste seu projeto...
Fiquei mais curisoso. Pelo q vi vc faz um trabalho contestador e provocativo. Pelo menos foi a impressão q deixa com seus trabalhos digitais. Quero ver. Começo a entender um pouco....
Não precisa me responder. Acho q captei.
Também acho que não vai ficar aí comprando curtas. Duvido que não vai fazer outros.
Está claro no seu portfólio. Comecei a gostar, apesar de os emails já terem sido interessantes, e fomentadores de um pensamento; para mim...
Artista sem idéia... hummmm.. sei...
espero seu endereço
e por favor me envia seus filmes em DV, fiquei curisoso.
marcius
Cezar,
Que bom que está trocando esta idéia comigo.
Ontem, depois que te escrevi pensei, quantos emails vc poderia estar recebendo com este projeto.
O meu é apenas mais um. Isto é legal, afinal, trocar idéias quanto a arte, cinema e enfim outras coisas do tipo sempre é bem vinda.
Ok, não vou falar mais sobre o q acho da arte e o q você acha.
Nestes emails já percebi sua ideologia. Não acho q está errado. Nem eu. São caminhos cara, só isso.
Só te perguntei sincereamente porque não te conheço, não vi teus filmes. Se te conhecesse não perguntaria isso. Mas de certa forma estou conhecendo um pouco.
Te escrevi porque vc me enviou um emal para minha caixa pessoal.
Assim começamos uma conversa pessoal também.
Quero deixar claro, não pretendi te ofender em nenhum momento. Se me conhecesse saberia.
Na verdade te provoquei (no melhor dos sentidos) para saber como vc respondia a um questionamento do seu projeto. E mais, devo confessar, quando li seu email pensei, ou o cara sabe o que tá fazendo ou tá de onda. Não estou afirmando que está de onda, só queria saber qual é...
Estou vendo que está com um caminho, e isto é legal.
Se é pro bem, espero que colha muitos frutos. Para mim, já está funcionando, pois estou pensando no assunto. Por isso te escrevi de novo e agora também. Se estivesse puto contigo não escreveria.
Mas acho que por estar com muito trabalho neste projeto, não quer dizer que é arte.
E se vc ainda não se transformou com seus trabalhos, é uma pena, talvez por isso esteja com esta postura e este crédulo.
Acho que se pode transformar sim nos processos, digo isso por mim, que faço Teatro, música e cinema a mais de 10 anos e me transforamo a cada processo, porque não faço cinema para festivais nema teatro para encher a casa. Para mim, o mais importante é o processo, onde ficamos pensando no assunto durante meses. A exibição ou projeção é somente o resultado deste processo.
Mas isto é muito pessoal, pois vivi isto.
Se te perguntei se o seu projeto é para questionar ou para curtir festivais, é porque estou realmente interessado na resposta.
Se existe outra possibilidade para este projeto, me responda, estou interessado.
Começo a ver pelas suas respostas que este projeto está te possibilitando conversas diversas, como esta.´Vc pensana nisso quando começou?
te perguntei porque no texto q colocou no site fica meio tira onda mensmo "Ganhei 3 mil num festival no exterior, vou pagar mil por um filme.. me perguntaram se tinha outro projeto..."
Pode ter sido uma má interpretação minha ao seu texto. Acontece... Por isso te pergunto.
E mais, se não tivesse me enviado a mensagem ao meu email pessoal nunca teria te contestado a respeito. Mas enfim, estamos dialogando...
Acho que o artista TEM SIM sua essência, ele tem experiências, ele é um indivíduo que se transforma. E sua arte também. Não faço meus filmes da mesma maneira, se quiser te mando um DVD, seria um prazer, falando sério. Mas acredito que mesmo fazendo eles bem diferentes, há uma essência minha nisto. A maneira que escolhe os atores, as locações, a maneira de representar e o tempo das coisas.
Com certeza meus filmes serão diferentes (espero conseguir), mas eles vão representar de certa forma "eu" naquele momento.
Por isso, no seu exemplo a crítica procurou um verdadeiro Fellini naquele filme e não achou. Porque eles estavam procurando um "padrão" Felline, e isto não existe, vc tem razão.
Pensando no assunto, se vc acha que qualquer filme pode ter a sua cara, poderia fazer um filme e colocar seu nome nos créditos com se o filme fosse seu? Sem te mostrar?? E começar a inscrevê-lo em festivais???
Você acha mesmo que qualquer filme pode ter a sua cara?
No momneto que escolhe, já está colocando um pouco da sua essência na escolha. Não acha?
Vc vai escolher um filme que tem a ver contigo, ou que vc gostaria de ter feito, não é?
Mais uma coisa:
Mediadores são mediadores. Não são artistas. A mídia coloca qualquer coisa na mídia. Faz um presidente e põe um monte de adolescente na rua para tirar o mesmo. Isso não é arte, é manipulação. Um DJ que coloca uma música de outro e na sequência coloca outra música não é artista. Ele só está colocando música dos outros em uma festa. Se ele mistura e/ou altera aquela música com outra ou com alguns efeitos (ou o que seja) e ele transformar aquilo em outra coisa, já é melhor que ser apenas um "tocador de disco". Realmente ele não é um artista. Artista foi aquele que se transformou quando estava fazendo aquela música, ou aquela letra. O que escreve uma letra falando do biquinho do peitinho dela, NÃO É ARTISTA, apesar de estar tocando música na rádio.
Assim como o cara que pinta frutas para vender na feira. Não são artistas. Para mim. Assim, estes seus exemplos não fazem sentido para mim.
Quando compra um filme e só coloca seu nome, não está sendo artista. Assim como o DJ que só coloca a música para tocar.
Vc está questionando o PODER e não a arte. Acho que com a distribuição de massa, o PODER de distribuição é fortéssimo. Assim a importância dos mediadores de galerias e dos fodões das emissoras ou das distribuidoras de cinema.
Acho que estamos flando de coisas distintas, não?
O que você quer?
Ser um mediador ou ser um artista?
Pausa... Quando falo de artista, estou falando da busca de transformação.
Espero que não fique puto comigo, estou trocando uma idéia de boa.
Talvez se agente se conhecer pessoalmente e trocar algumas idéias, agente se entenda melhor, respeitando as diferenças, é claro.
Se quiser um DVD com meus filmes, me envia seu endereço, será massa.
Poderá ver que estou tentando me transformar com os trabalhos. Mas é claro que também poderá não ver nada disso.
abraços sinceros
e obrigado pelo papo
marcius