quinta-feira, abril 21, 2005

A proposta

HISTÓRICO


Em Novembro de 2004 recebi um prêmio de 4 mil dólares em um festival na Suíça (Viper Basel).
Durante a premiação a diretora do festival me dizia: “Espero vê-lo aqui o ano que vem com novas idéias e projetos”. Em duas entrevistas que se seguiram após a  premiação, a mesma demanda clichê; “qual seu próximo projeto?”
Sem projetos, sem idéias e com 4 mil dólares decido comprar um filme.
Dois mil dólares para mim, pelo filme antigo (Ação e Dispersão) e dois mil para o filme novo (Um artista sem idéia).
Mil para comprar o filme e mil para divulgação, produção de site, cópias, inscrição em festivais, etc.
O titulo é provisório, mais tarde dará lugar ao título do filme comprado; “Uma lágrima e uma flor”, por exemplo.  


CHAMADA PARA O PROJETO


Caros artistas, realizadores e produtores.
Estou abrindo inscrições para o projeto “Artista sem idéia”.
Estou oferecendo 1000 US$ (mil dólares) por um filme/vídeo de qualquer duração captado em qualquer formato.

O projeto tem apenas três regras invioláveis:
1 – A obra deve estar pronta e ser inédita.
2 – Uma vez vendida, os direitos sobre a obra serão integralmente cedidos a mim, Cezar Migliorin.
3 – A obra não será alterada, com exceção dos créditos, onde passará a constar: um filme/vídeo de Cezar Migliorin.

Apenas um trabalho será escolhido.

Os trabalhos podem ser enviadas em DVD ou VHS para:
R. Nascimento Silva, 137/302
22421-020
Rio de Janeiro – RJ
Brasil

Data limite de envio: 20 de março de 2005.

Qualquer dúvida entre em contato com:
Cezar Migliorin – cezarmig@visualnet.com.br

segunda-feira, abril 11, 2005

O RESULTADO

Artista sem idéia

Caros participantes do Projeto Artista Sem Idéia.

Depois de uma árdua escolha o vídeo selecionado foi o de número 111.
O contrato será assinado até o dia 10 de abril e terá como testemunhas o cineasta Vinícius Reis e o professor da PUC-Minas André Brasil.
Gostaria de agradecer muito a participação, confiança e apoio de todos vocês.
Forte abraço
Cezar Migliorin

domingo, abril 10, 2005

Comentarios sobre o Projeto por Cezar Migliorin (CanalContemporaneo)

Artista sem idéia

Projeto Artista sem idéia, por Cezar Migliorin


Oferece-se US$ 1 mil por filme/vídeo de qualquer duração, captado em qualquer formato. O projeto tem apenas três regras invioláveis: 1. a obra deve estar pronta e ser inédita; 2. uma vez vendida, os direitos sobre a obra serão integralmente cedidos ao idealizador do projeto, Cezar Migliorin; 3. a obra não será alterada, com exceção dos créditos, onde passará a constar: um filme/vídeo de Cezar Migliorin. Apenas um trabalho será escolhido.


Em novembro de 2004 recebi um prêmio de US$ 4 mil em um festival na Suíça (Viper Basel). Durante a premiação, a diretora do festival me dizia: “espero vê-lo aqui o ano que vem com novas idéias e projetos”. Em duas entrevistas que se seguiram após a premiação, a mesma demanda clichê: “qual seu próximo projeto?”.

Sem projetos, sem idéias e com US$ 4 mil, decido comprar um filme. Dois mil dólares para mim, pelo filme antigo (Ação e Dispersão) e dois mil para o filme novo (Um artista sem idéia). Mil para comprar o filme e mil para divulgação, produção de site, cópias, inscrição em festivais, etc.


O titulo é provisório, mais tarde dará lugar ao título do filme comprado; “Uma lágrima e uma flor”, por exemplo.


Os textos abaixo surgiram em resposta aos quase 100 e-mails recebidos depois da divulgação do projeto e de uma conversa com Claudia Tavares e Dani Soter sobre o projeto Artista sem Idéia


A origem do projeto


Esse projeto só existe porque ganhei um prêmio com um outro trabalho - Ação e Dispersão - e é com o dinheiro do prêmio que eu estou realizando o Artista sem Idéia.
Na noite da premiação, em Basel, na Suíça, várias pessoas me perguntavam qual era o próximo projeto, eu mal conseguia digerir o prêmio e já me perguntavam pelo próximo. Não tinha idéia, mas tinha dinheiro.


O lugar do artista e os editais


É uma humilhação para o artista participar de tantos editais, com freqüência inevitáveis. Há um efeito estético que tendemos a desprezar nesta estratégia de poder. Neste projeto, eu deixo de ser um artista para ser uma empresa, uma organização. Sempre me interessou, nesse projeto, criar uma máquina que funcionasse de modo autônomo e imprevisível, que regula mas que não domina seus efeitos, nem social nem esteticamente.


Eu respondi a todos os mails que recebi, o que era muito interessante. Estou descobrindo que esse é o filme mais trabalhoso que eu já fiz. Algumas pessoas diziam assim: obrigado por ter respondido, como se eu fosse uma grande empresa, uma instituição e não um cara que faz vídeo.


O novo trabalho


Podes imaginar a excitação de saber que daqui há dois meses eu terei um filme novo e até agora não tenho a menor idéia do que ele será e, até o último momento eu posso oscilar entre coisas muito diferentes? Até o último momento o meu ato muda tudo. Posso escolher quem eu quero ser na hora da escolha. Nada mais terá valor em si, tudo será contaminado por essa escolha que não tem como ser medida e que pode ser adiada até o último momento.
Essa presença humana; minha, das pessoas que mandam filmes, dos 100 e-mails que recebi nos dois primeiros dias, etc, associada a esse radical descontrole, essa abertura em que a obra ainda se apresenta é um dos aspectos que mais me interessam nesse projeto.


Descontrole


O mais complicado hoje é criar uma situação no audiovisual onde apareça um imprevisto, onde o acaso assuma um papel relevante. Onde as pessoas precisem inventar algo na hora, criar fora do roteiro - dos vários roteiros - que já temos disponíveis para nós mesmos. O desafio é criar estratégias para esse descontrole. A maioria das imagens que interessam hoje estão contaminadas pela ação que as produz, seja esta ação um artifício, um dispositivo de aparecimento de imagens seja uma ação produtora de intervenção no real.


O filme


Queria fazer um filme onde você tivesse mesmo dúvidas se se trata de um filme, tal a força com que ele aponta para fora, a força com que ele aponta para um estado de coisas que o ultrapassam, queria que cada imagem remetesse o tempo todo para um fora radical, para algo que não está ali.


Acho que este projeto tem esse micro-efeito; o filme escolhido, normalmente fadado ao desaparecimento encontrou uma mídia que o reinventa. O filme comprado, ou, os potenciais filmes comprados já estão fazendo seu papel, já estão sendo esvaziados da sua corrente inutilidade.


As imagens são a nossa natureza, são o nosso mundo, habitam o mundo como naturais, como não mais criadas pelos homens. Tenham elas uma assinatura ou não. Esse projeto de alguma forma devolve a autoria para quem as fez, só que para que isso aconteça ele deve desaparecer. É tão absurdo que eu acho bonito.


Mau gosto


Algumas pessoas me escreveram dizendo que era um projeto de mau gosto, talvez elas tenham razão, o filme, que pode ser sublime, terá que carregar esta carga de ter sido comprado, uma carga que está no mundo. Não consigo me imaginar como artista sem ser forçando o limite do que acontece. Talvez a única forma de pensar um determinado estado de coisas seja explicitando a sua lógica, ai o mau gosto aparece. Mas, quanto tempo dura o mau gosto? Uma década, um dia? As questões de gosto na arte são tão desprovidas de robustez que eu tenderia a desprezá-las.


Indignação


Retirar o fetiche dos créditos. Fazer filmes, botar meu nome nos créditos é uma forma de aparecer. A obra não interessa. A obra é mero meio para tentar achar o valor absoluto/fetiche. - Um êxtase do valor. (Baudrillard).


Entenda, só me incluindo nessa lógica posso explicitar a perversão. Dou um valor ao fetiche e o rei aparece nu. Não estar nos créditos é um insulto porque o efeito Caras invadiu tudo; como ficar fora do único lugar que eu tenho para botar meu nome?


Para alguns artistas é mais gostoso viver nesse lugar separado do mundo, como se fossem enviados, possuidores de um olhar de originalidade absoluta sobre as coisas e que seus trabalhos não tem como ser trocados em valor - o que é feito o tempo todo. Eles ficam lá nas alturas, olhando para essa merdinha de dia-a-dia sem se sujar. Artistas platônicos; uma piada.


Cinema e artes plásticas


É lamentável que essa separação tenha se estabelecido de forma tão rígida, mas, no vídeo nós temos vários exemplos que rompem essa lógica; é o caso dos mineiros Éder Santos, Cao Guimarães, Lucas Bambozzi, Marcellvs L., Carlos Magno e do Arthur Omar. No maioria do cinema, infelizmente, cada filme parece feito para que o cara tenha a possibilidade de fazer outro. O filme só interessa como afirmação do sistema, como marca da possibilidade de estar inserido, curta-cartão de visita, como se dizia.


Colocar um logo da Petrobras antes do filme tudo bem, colocar 20 logos de padarias a bancos antes do filme, tudo bem, mas tirar o seu nome vira um insulto. A diferença aqui não é de natureza, mas de grau; é isso que o Artista sem Idéia explicita. O filme com os logos é importante, o cara prova que tem boas conexões, que ganhou dinheiro, que está inserido, que tem uma carreira pela frente etc. É sempre mais fácil ser um medíocre e pensar na carreira do que pensar a lógica dessas carreiras e das instituições.


Publicado por João Domingues em janeiro 27, 2005 03:42 PM

Revista Bravo / Abril.2005

Artista sem idéia


Dublê de Cineasta
Assim como quem escolhe um sofá ou um carro, o artista e pesquisador Cezar Migliorin decidiu comprar um filme para chamar de seu. No projeto Artista Sem Idéia, ele paga US$ 1mil ao cineasta que tiver uma obra em película ou vídeo para vender, sob a condição de que seja inédita, e que tenha sua autoria cedida. “É o artista que dá o dinheiro, quem fez não põe seu nome, etc. Essa desnaturalização das convenções me instiga, é reveladora de como estruturas de poder e submissão funcionam no mundo dos patrocínios.” O Artista sem Idéia (www.migliorin.org) recebeu mais de uma dezena de candidaturas e assinará contrato com o vencedor da obra vencedora no dia 10 deste mês. “De alguma maneira, o projeto devolve a autoria para quem fez a obra, só que para que isso o criador não deve aparecer. Quando o filme for exibido, todos procurarão um autor. Eu e um outro que desapareceu.”

Folha de São Paulo por Diego Assis - 25/1/2005

Artista sem idéia

Artista oferece US$ 1.000 para ter "autoria" de filme

O que faz um artista sem idéia? Compra uma. é assim, com uma dose de ironia e outra boa de coragem e cara-de-pau, que o carioca Cezar Migliorin, 35, está "produzindo" seu próximo trabalho.
Em um e-mail distribuído a "artistas, realizadores, produtores e amigos", Migliorin vai direto ao ponto: "Estou oferecendo US$ 1.000 por um filme/vídeo de qualquer duração captado em qualquer formato". E acrescenta: "O projeto tem apenas três regras invioláveis: 1) A obra deve estar pronta e ser inédita; 2) Uma vez vendida, os direitos sobre a obra serão integralmente cedidos a mim, Cezar Migliorin; 3) A obra não será alterada, com exceção dos créditos, onde passará a constar: um filme/vídeo de Cezar Migliorin". Seguem o endereço de correspondência e a observação de que a data-limite para envio de material será 20 de março.
Por e-mail, as respostas começaram a chegar. Até agora duas contendo vídeos e dezenas de outras esbravejando contra a (falta de?) idéia. "A principal crítica que venho recebendo se relaciona com a noção de que o autor continua numa posição muito privilegiada, que o seu trabalho não pode ser trocado em valor econômico, como se tivesse uma subjetividade muito profunda, uma visão de mundo que só ele tem", provoca Migliorin. Doutorando em comunicação pela UFRJ e responsável pela montagem ou a edição de som em longas como "Carlota Joaquina" e "O Quatrilho", Migliorin realiza trabalhos próprios desde 2001, "algo entre o documentário e a videoarte", diz.
No ano passado, teve uma de suas obras, o filme "Ação e Dispersão", premiada no Festival Viper Basel, na Suíça, com US$ 4.000 -metade desse valor será usada para pagar a compra do vídeo e a produção do projeto "Artista sem Idéia". "Ação" é uma espécie de road movie que passa pelo Brasil, México, EUA e Portugal e que documenta o artista gastando cada centavo de um prêmio incentivo recebido da Petrobras na produção do próprio filme.
"No "Ação e Dispersão" algumas reações foram muito fortes também. Diziam que era um projeto de mau gosto", conta. "Talvez a única forma de pensar um determinado estado de coisas seja explicitando a sua lógica, aí o mau gosto aparece. Mas quanto tempo dura o mau gosto? Uma década, um dia? Questões de gosto na arte são tão desprovidas de robustez que eu tenderia a desprezá-las."
Mais do que o "efeito Caras" -"botar o nome nos créditos é uma forma de aparecer"-, Migliorin procura apontar, nesse novo trabalho, a cultura de editais de patrocínio que se instalou na arte brasileira nos últimos anos. "Há alguns anos o audiovisual vive de editais. é uma grande humilhação para o artista participar desses editais. Colocar um logo da Petrobras antes do filme tudo bem, colocar 20 logos de padarias e bancos antes do filme, tudo bem, mas tirar o seu nome vira um insulto. A diferença aqui não é de natureza, mas de grau", critica.
Ainda que, na tendência tão em voga hoje da arte-processo, sua obra corra o risco de ficar só no próprio edital e na documentação das diversas reações a ele, o artista defende que vai levar a proposta até o fim. "Quem for assistir vai se relacionar não só com o que está vendo, mas com questões do direito autoral, desses editais malucos, da própria forma como o audiovisual está organizado hoje."
Em tempo: trabalhos para o artista sem idéia podem ser enviados, em DVD ou VHS, para r. Nascimento Silva, 137/302, Rio de Janeiro, CEP 22421-020. Mais informações podem ser obtidas no site www.migliorin.org.Diego Assis - Folha de São Paulo

Entrevista 1

Artista sem idéia

1. Você ofereceu mil dólares por uma obra em vídeo ou filme. Muitos se inscreveram até agora no seu projeto?

2. Seu projeto questiona diretamente o tema da autoria e de direitos autorais. Autor é aquele que se assume como tal, em relação a uma obra, e não aquele que a criou?

3. Que tipo de vídeo/filme você acabará por escolher? Você busca algum gênero ou conteúdo em especial?

4. Quais são seus cineastas preferidos?

5. E... qual o seu próximo projeto?



Vamos lá.

1 – Sim, mil dólares, como você deve ter lido no meu site, ou na matéria da Folha, esse dinheiro é fruto de um prêmio que recebi na Suíça.

Acho que faz um especial sentido que um dinheiro que vem de um instituição de arte volte a circular nesse meio, produza outro projeto e outras dezenas de filmes, entre nesse jogo. Muitas pessoas me escreveram dizendo que estão produzindo para o projeto, o que é interessante. De alguma forma o projeto forja uma produção, acaba inventado uma estética, que é o que acontece quando eu, a Petrobrás, o Minc, o Salão X, a Galeria Y, fazem uma chamada para projetos; uma estética aparece desta relação do artista com a instituição. Comigo é uma relação, com o Itaú é outra.
Até agora recebi 11 filmes, o que me surpreende, uma vez que ainda faltam 20 dias para o prazo final de postagem e todos deixam para a última hora.
Continuo recebendo comentários sobre o trabalho. Muitos apoiando e desejando participar, seja para ganhar os 1000 dólares ou porque querem fazer parte de algo inusitado. Outros mais agressivos. Acho que há um desconforto pelo fato de o Artista Sem Idéia provocar uma desorganização no que parece tão arrumado.
Algumas empresas fazem editais, outras – os artistas – tentam ganhar os editais e tem o direito de colocar o nome – junto do patrocinador – na obra que fez; um filme de....
O projeto desarruma porque é o artista que dá o dinheiro, quem fez não coloca seu nome, etc. Essa desnaturalização das convenções me instiga, ela acaba sendo muito reveladora de como estas estruturas de poder e submissão funcionam.

2
O autor é aquele que se assume como tal, e não aquele que o criou, você diz, é verdade. Mas nos ready-mades do Duchamp já era isso não?
Felizmente o mundo contemporâneo se livro do ‘tudo pelo novo” para pensar as relações do que fazemos com o agora - Foi um parênteses.

Pensei o projeto inicialmente porque me deparo frequentemente nos festivais que freqüento, nas minhas aulas e no meu trabalho como pesquisador com essa infinidade de imagens, de filmes e vídeos que aparecem e desaparecem sem deixar marcas ou vestígios. O que já há muito acontece com as imagens em geral acontece também com as imagens em movimento ditas “de autor”.
No cinema também o artista passou a ser aquele cara que faz o filme e que inventa um dispositivo que o cerca, que faz com que a obra exista. Isso vale para a Disney e para nós.
Acho que aqui se trata também de micro-tentativas de tentar forçar o limite do desaparecimento, o que faz com que as imagens permaneçam não é algo que está nelas, não mais – ou muito raramente - , ao mesmo tempo em que não é o sujeito que detém o poder sobre elas, mas uma medição que passa pelas imagens e não se instala.
Podemos ver hoje vários artistas e teóricos que numa atitude tardo-moderna se precipitam em festejar qualquer tentativa de um novo sublime, mediado, tecnológico, se esquecendo que sem dialogar com o sistema das artes essas ações são dignas mas inócuas.

No caso do cinema, cada vez mais a situação da sala de exibição depende mais de algo que está fora e nesse projeto eu tinha esse desejo de produzir algo onde você tivesse mesmo dúvidas se se trata de um filme, tal a força com que ele aponta para fora, a força com que ele aponta para um estado de coisas que o ultrapassam, queria que cada imagem remetesse o tempo todo para um fora radical, para algo que não está ali – a questão dos patrocínios de arte, as estratégias de poder dos conglomerados que apóiam as artes, o papel do autor contemporâneo, a questão dos direitos autorais, etc

Mas me interessa nesse projeto Denise as suas múltiplas facetas. A questão do autor é fundamental.
Não consigo me imaginar como artista sem ser forçando o limite do que acontece. Acho que esse projeto questiona (não adoro essa palavra não), dialoga com um duplo caminho que a autoria faz hoje. Por um lado o da pulverização, ou seja; tudo que se produz é dialógico, sampleado, por outro a autoria é o lugar que possibilita o meu nome aparecer, fazer parte de mais um banco de dados, ser encontrado na internet, etc. Nesse caso, a obra é mero meio para tentar achar o valor absoluto/fetiche.
Acho que são destes que ainda dão ao artista um valor transcendente que partem as criticas mais raivosas. É mais gostoso para os artistas viver nesse lugar separado do mundo, como se fossem enviados e que seus trabalhos não tem como ser trocado em valor – o que é feito o tempo todo; são os artistas platônicos.
Como artista, só me incluindo posso explicitar a perversão.

O curioso, talvez um efeito colateral desse projeto - como te disse ele tem várias facetas - é que de alguma forma ele devolve a autoria para quem as fez, só que para que isso aconteça ele deve desaparecer.

3
Não busco nada em especial.
Me interessa nesse projeto ser surpreendido. Quando vejo os filmes que recebo é como se um novo “eu” fosse possível o tempo todo. Cada filme apontado para um universo estranho. Alguns são filmes que eu ficaria normalmente bastante distante, mas o projeto me coloca em estranha proximidade com o que eu a princípio rejeitaria.
Me interessou nesse projeto criar uma máquina que funcionasse de modo autônomo e imprevisível, que regula mas que não domina seus efeitos, nem social nem esteticamente.
Ao mesmo tempo, cada filme que receberei será produzido sem que o cara tenha que botar o nome dele. Cada pessoa poderá se despir de uma imagem que ele tem a zelar e fazer o filme que quiser. Imagine a dificuldade do Jabor em fazer um vídeo de 3 minutos hoje? Faz, manda para mim que eu assino. Eu estaria livrando ele do roteiro da sua vida.


4
Denise,
Me preparei a minha vida inteira para responder a essa pergunta, só que agora que ela é colocada eu não sei dizer.
Se for muito importante, me avise.

5
Já que você insiste...
Estou fazendo um doutorado na UFRJ com orientação da Ivana Bentes, esse é meu grande projeto, pesquiso algumas relações entre a videoarte e o documentário, viajo agora a tarde para Belo Horizonte para encontrar vários artistas que trabalham com vídeo lá.

Sobre os trabalhos de arte, eles sempre tão difíceis de falar não é? As palavras acabam sendo redutoras, ao mesmo tempo que eles estão sempre presentes.
Mas o principal é uma individual que farei em setembro na Galeria 1 do Sérgio Porto

Diario de Pernambuco - 15 de Fevereiro de 2005

Artista sem idéia

Uma obra de arte no balcão de negócios
Mensagem divulgada pela internet reacende discussão sobre autoria

Luciana Veras
Da equipe do DIARIO

Deu na internet há duas semanas: "Estou oferecendo US$ 1.000 por um filme/vídeo de qualquer duração captado em qualquer formato. O projeto tem apenas três regras invioláveis: 1) A obra deve estar pronta e ser inédita; 2) Uma vez vendida, os direitos sobre a obra serão integralmente cedidos a mim; 3) A obra não será alterada, com exceção dos créditos, onde passará a constar: um filme/vídeo de Cezar Migliorin". Carioca, curta-metragista, doutorando em Comunicação por uma faculdade do Rio de Janeiro, Migliorin propõe a discussão do formato de produção de cultura no Brasil.

Será, porém, que uma iniciativa assim não diz mais sobre arte, autoralidade e/ou escassez criativa do que se supõe? Partindo da polêmica, o DIARIO ouviu representantes de diversas searas artísticas e indagou: há uma crise de idéias por aí? A criação artística é venal? A cineasta pernambucana Kátia Mesel, recém-chegada de Nova York, onde apresentou no Festival de Cinema Judaico um trecho do longa O Rochedo e A Estrela, pensa que idéias podemser vendidas: "À primeira vista, isso me reporta ao Dadaísmo, ao Ready-Made, quando Marcel Duchamp e Man Ray pegavam um mictório e se apropriavam. Para mim, essa é uma proposta criativa, que cutuca, que é inédita. Não acho que indique uma crise".

Ela, que filma desde 1968, já dirigiu mais de 200 trabalhos e tem 11 curtas-metragens em película no currículo, acha, inclusive, que se candidatará. "Estou pensando em mandar algo meu em digital. Acho que como experiência pode ser válido", comenta. Vocalista e compositor da Suvaca diPrata, Igor Gazatti não enxerga "implicações do ponto de vista legal" e lembra que a usurpação de um original não é lá tão novo assim. "No início da bossa nova, Marcos Valle e Roberto Menescal, que eram, digamos assim, do segundo time e estavam começando, compunham músicas que depois tinham seus direitos autorais comprados", observa.

Mas seus nomes permaneciam à frente da obra, mesmo com os direitos comprados. "É por isso que para mim o problema não é legal, até porque direito autoral na internet é algo difícil. O que me incomoda é a questão do próprio orgulho do cara, tanto para de quem vende como de quem compra. Qual é o retorno de comprar algo e propagadear sabendo que não é seu?", questiona. O escritor e dramaturgo Cláudio Aguiar também analisa sob esse viés. "É mero mercantilismo", rechaça o autor de O Suplício de Frei Caneca e A Emparedada. "Um mercenarismo diferente do sentido antigo, no qual a manifestação artística é simplesmente comprada como se alguém chegasse em uma galeria ou num mercado", complementa.

Blefe - "O ato de criar é algo muito solitário, é algo que nasce dentro de você. Quando uma pessoa cria, escreve um livro ou faz um filme, ele é autor, aquilo só existe por causa dele. Então creio que haja uma deturpação dessa noção em questões como essa. Há um embuste, um blefe do comprador, porque ele quer ser algo que não é e que comprar algo que não consegue fazer. Acho, também, que quem vende renuncia à paternidade, a algo que é seu, e os dois se desvirtuam da finalidade da arte". condensa Aguiar, com mais de 12 livros publicados.

Já o fotógrafo Thomas Baccaro, radicado em Olinda desde 2000, crê que um registro pode ser vendido. "Trabalho com publicidade e é assim, a gente vende uma foto e o crédito nem sempre sai", diz. "O cara que compra se caracteriza como alguém sem idéia mas que está disposto a comprar uma. Eu não sei se negociaria algo assim, a não ser que fosse uma quantia muito grande e que me fizesse pensar. Aliás, acho que o autor da idéia vai juntar muita grana para comprar e não vai saber o que fazer", acredita.

Será? Cezar Migliorin, o dono do Projeto Autor Sem Idéia, conversa com a reportagem e dá seu recado: "Estamos, efetivamente, num momento de muitas idéias. Não há crise de criatividade ou escassez, e sim o contrário. Essa semana abre aqui no Rio a Mostra do Filme Livre, que recebeu 800 inscrições, o que quer dizer que tem um monte de diretores de cinemas produzindo imagens que vão desaparecer. O que eu fiz foi atrelar ao filme que eu vou comprar um dispositivo, que é justamente a compra, para que esse filme não se perdesse no meio de tanta imagem, porque a tendência é que esses filmes desapareçam".

Espantado com a repercussão do projeto, Migliorin, diretor dos curtas Ação e Dispersão, Meu Nome é Paulo Leminski e O Esquecimento (os dois últimos na grade do Filme Livre), fica satisfeito ao saber que sua idéia está em debate e salienta que não se incomodaria de receber, como realizador, uma proposta assim. "De forma nenhuma. O que me deu certeza de levar adiante foi saber que esse dinheiro é muito para mim, que sou pessoa física, e que acho que poderia tirar 2 ou 3 dias da minha semana para rodar um filme e vendê-lo. É claro que eu faria", resume.


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Comentarios Recebidos no CanalContemporaneo

Artista sem idéia

Comentários


Não vou não. É uma proposta interessante e válida e, ao contrário do que o texto diz, não acho que force tanto assim os limites... Espero que alguém venda e, melhor, que coloque no próprio portfólio se o contrato der brecha: "Vendido por míseros porém muito bem vindos U$ 1.000,00", 2005, digital, Z min. :) Afinal o trabalho de arte ai não é o filme, mas comprar o filme; não é de mau gosto comprar filmes. Boa sorte!
Enviado por : Hélio Nunes em fevereiro 3, 2005 05:36 PM


gostei do projeto, é legal assumir essa marca do nosso tempo: a falta de idéias (ou o excesso, dá na mesma). no entanto, a proposta é interessante pela contraditoriedade, afinal, a falta de idéias acabou se tornando uma delas.
Enviado por : luciana em fevereiro 16, 2005 01:06 PM


Projeto Artista sem Idéia deveria se chamar projeto artista sem obra. A proposta inicial do artista Cezar sugere a compra da ideia mas na verdade ele compra a obra. A diferença é que comprando a obra vc adquire não só a ideia(que ironicamente o projeto critica)mas também toda subjetividade do artista( edição ,fotografia, etc).Apesar de minha opinião achei a ideia otima e vou mandar um filme.
Boa Sorte Cezar!
Enviado por : Fernando Huck em fevereiro 27, 2005 05:40 PM


É interessante pensar... A criatura vale tanto por si só que o criador morreu por ela.
Enviado por : Clarisse em março 12, 2005 10:20 PM


Cara, vc eh um picareta de marca maior!
Enviado por : jão em março 15, 2005 05:38 PM


Muito boa essa idéia,
fazia tempo que não via uma boa reflexão sobre a transformação do statuto do artista contemporâneo -em forma de obra.
Enviado por : lu em abril 3, 2005 09:33 PM

Debates e conversar por mail com guiwhi

> oi cezar, tudo bem?
> achei a idéia otima mas fiquei com uma duvida,.,.
> voce diz que o filme tem que estar pronto e que voce passara a assinar
> o filme como diretor.,,. como assim? se voce esta comprando a obra ja
> pronta seu papel nao deveria ser o de produtor ou produtor associado?
> nao entendi,.,.
> forte abraco
> guilherme whitaker


A pergunta é ótima e talvez eu não tenha uma resposta definitiva.
Olha, estou comprando como artista, assinarei o filme como tenho
assinado meus filmes:
um filme de Cezar Migliorin.
E mais, a pessoa que fez o filme abre mão de seus direitos, inclusive
de ter seu nome nos créditos, o que faz com que eu não seja apenas o
produtor, ou o produtor associado, como v. propõe.
Na verdade, não me interessa ser o produtor, mas sim a mídia.
Quem fez o filme terá a certeza que seu trabalho não será alterado e o
que ele está vendendo não é somente o filme, mas também um capital
simbólico, algo que ultrapassa a obra e a sua materialidade.
Vou continuar pensando e te convido para ir junto
Valeu
Abração
Cezar

On Jan 12, 2005, at 5:13 AM, guiwhi wrote:


com ceretza vamos juntos e gostaria de fazer uma materia de capa pro curta o curta sobre, oks?
é uma iniciativa otima e com certeza vai dar muita polemica, dai tal materia seria legal proce explicar um pouco melhor a coisa toda, se quiser,.,. muito da graça talvez esteja exatamente na questao de ser algo em aberto, que voce se propoe a constrir mesmo sem saber ao certo o que seja e aonde quer chegar,.,..

entao, voce fala em comprar o simbolismo do filme, ou seja, o autor pensa, faz e vende, deixando de assumir tais papeis, que seriam pelo capital transferidas para voce.,,. dai se alguem te perguntar porque voce fez o filme ou porque usou tal camera ou tal atriz, o que eou como voce pretende dizer?

g



Vou achar ótimo a matéria.
Olha, acho que vai estar sempre claro que o filme foi comprado Guilherme, mas, em relação as opções estéticas, elas serão totalmente minhas. O fato de eu comprar um filme feito com imagens de uma câmera sony me faz tão dono (no sentido estético) das imagens quanto quem apontou a câmera para algo ou quanto os engenheiros da Sony.
Sobre porque se faz um filme...
Essa pergunta, a gente que faz filmes, se depara com ela o tempo todo né? E as respostas que eu acho são muito amplas e múltiplas, uma delas é para me permitir trocar idéias com você, por exemplo.
abraço
cezar





On Jan 12, 2005, at 5:46 AM, guiwhi wrote:

oi cezar, entao,,, o nome de tal projeto é ´artista sem idéia`, porem tal lembra um poco talvez uma situação dum pintor que faz um quadro e deixa a assinatura pra quem se dispoe a pagar-lhe melhor,.,. é estranho e original, a forma mais capitalista queu ja vi de se assumir artista, no seu caso voce tambem érealizador, mas se a moda pega vai ter industrial ou padeiro fazendo a mesma coisa e quem sabe ate ganhando kikitos sem nunca ter tocado numa camera ou lido um livro de cinema,.,.
voce ja pensou nisso?
é pano pra muita manga mesmo, voce sabe,.,.,.
g

projeto já é uma idéia,.., quando te perguntei sobre o que voce iria dizer se alguem te perguntasse, voce, diretor do filme comprado, porque preferiu azul ou vermleho no vestido da atriz, voce pode apenas dizer que preferiu a cor que ela estava usando pois ja viu a obra pronta e gostou ao ponto de compra-la,,. tipo, voce seria ou sera o diretor dum filme ja pronto, vai assumir a posição estetica e politica e etc dum filme que nao por voce pensado mas sim gostado e comprado, assumido.;.; .., é muito controverso.;.; se é bom ou ruim, quem vai taxar?




é verdade, já é uma idéia.
Neste projeto eu vou escolher um filme, se imaginarmos que o papel de um diretor tb. está ligado a uma grande diversidade de escolhas, nossos papéis passam a ser coincidentes, porém, neste projeto, não me proponho a ser 'o diretor", assino um filme de. E mais, se pensarmos na margem de ação da grande maioria dos diretores contemporâneos, veremos que esta margem é ínfima.
Outra questão que v. levanta é da própria autoria. Quando fazemos determinadas escolhas estéticas e políticas em nossos filmes, a quem pertence essas escolhas, elas não são coisas que estão no mundo, que escolhemos um pouco daqui e um pouco dalí? No cinema então... Uma originalidade absoluta me parece ser algo que definitivamente não existe.
O cara que escolheu o vermelho para o vestido podia escolher entre o vermelho e o azul, além dos limites de produção que ele tinha, o gosto do diretor de arte, o corpo da atriz, o tipo de película, a competência do fotografo, etc.
Ele escolheu o vermelho, é verdade, mas essa escolha não parte de um autor super-potente.
A sua última provocação é ótima.
O que sobrou para os artista?
Os kikitos.
No audiovisual, infelizmente, já são os padeiros e os industriais que estão fazendo os filmes.
As exceções, como sabemos, são raras.
é pano pra manga.
Abraço

sábado, abril 09, 2005

Debate (longo) / por e-mail

Artista sem idéia

Também acho de mau gosto, mas é uma parte da história do Brasil. Há muito
tempo acontecia com frequencia (não sei se ainda acontece) sambistas do
morro venderem seus sambas, pois do contrário não teriam oportunidade de
ve-los gravados. E vendiam por qualquer troco, só para comer por uns dias.
Será que a moda chega ao cinema de curta metragem?
V


Caro V,
É interessante você lembrar do caso dos sambas. Bom para pensar na comparação. O que penso inicialmente é que o fato da venda dos sambas não estar inserido em um debate artístico nem ter a transparência que aqui proponho faz dos dois acontecimentos algo totalmente distinto.
As vezes para se comentar uma situação é necessário forçar os limites, ver até onde a corda agüenta.
Ter bom gosto ou não, não é realmente uma preocupação minha.
Talvez a única forma de pensar um determinado estado de coisas seja explicitando a sua lógica, ai o mau gosto aparece. Mas, quanto tempo dura o mau gosto? Uma década, um dia?
As questões de gosto na arte são tão desprovidas de robustez que eu tenderia a despreza-las, mas isso é uma opinião pessoal.
Forte abraço
Cezar Migliorin



Caro Cezar,
Voce tem razão quanto ao tal de gosto. Às vezes falamos coisas rápidas que mais tarade perdem a força e ficam sem sentido. Acredito, porém, como o Hume, que é possível chegarmos a alguma coisa parecida com sensibildiade apurada dirigida naturalmente para um certo assunto. Como não quero me alongar muito aqui na lista, se quizer pode me escrever no meu endereço particular, quando poderei falar mais um pouco. Acho a idéia provocadora que enseja o aparecimento de várias alternativas e siginificados do direito autoral.
Abraços,
XX


Meu mail para ti não mandei para a lista não, foi pessoal.
Legal v. lembrar do Hume; no livro que o Deleuze escreveu sobre ele - o primeiro de sua vida - ele argumenta que uma das questões centrais de Hume era relação entre a natureza humana e a natureza. O que não deixa de ser uma questão central hoje; mas, o que é a natureza hoje? Como pensar a natureza nas cidades, na vida urbana? Ou melhor, é possível pensar a natureza sem pensar as próprias imagens? Talvez isso seja uma pista do meu projeto, talvez.
a questão do direito autoral é central, não há dúvida. Deve ser mais interessante ser DJ que cineasta né?
Nos falamos,
obrigado pela tua atenção.
Abraço
Cezar


Cezar,
Tenho conversado com algumas pessoas sobre o seu projeto.(Naturalmente que o assunto nunca se aprofunda, pois pelo menos no meio em que transito é um espécie de tabu ter substância). As pessoas estão muito excitadas pela idéia de ganharem 1000 dólares, porém. Como estamos vivendo um período muito medíocre em todos os sentidos, parecemos náufragos que nos agarraremos em qualquer pedaço de táboa para não afogarmos. A ética é uma palavra quase desconhecida, não só dos políticos mas tabém de certos "cineastas".
Abraços
V


Caro V,
Mas, de qualquer forma, o discurso da ética é o que faz com que muitas pessoas fiquem indignadas com a minha proposta. Colocam diante de si um "isso não pode" super rápido, sem se dar ao trabalho de pensar; de onde vem isso? Porque esse projeto é possível hoje? Qual o trajeto de quem o propõe? O que faz com que tanta gente abrace o projeto com tanto entusiasmo? Porque na arte isso é possível?
Concordo contigo que a ética passa ao largo de tantos meios e pessoas, mas ela é uma conceito móvel, precisamos tentar entender o tempo todo; porque isso é ético, porque é anti-ético, porque essa falta de ética que v. fala é algo tão presente. Me interessa menos acusar o empresário corrupto do que pensar quais são as condições que possibilitam sua existência. Aí sim a coisa fica política.
Abraços
cezar


Olá, Cezar,
Só agora consegui consertar meu computador e recomeçar a pensar.
Penso que as coisas não são assim ou assado mas as relações entre elas (as coisas) é que de uma certa forma indicam (definem?) o que pode ser. Eu concordo plenamente que é preciso examinar as condições que ensejam o aparecimento do empresário corrupto. No Brasil isto é muito fácil. Sendo a ética uma senhora muito volúvel, temporal e geográfica e havendo entre os modernos(contemporâneos) certa necessidade de certeza e pressa, não há tempo de considera-la. É preciso pensar nela, porém. Ultimamente, como estou sem trabalho e sem produzir nada, resolvi reler "A Origem da Tragédia", do Nietzsche e filosofia é como horóscopo(sic): sempre há uma maneira de encaixar uma frase nossa numa do filósofo. (Aliás, tudo já foi dito). Uma das coisas que me lembro é que há a possiblidade de aceitar as coisas que não se encaixam na lógica tradicional. Aliás, há um filósofo brasileiro (esqueci o nome dele) que desenvolveu um sistema lógico que admite sim e não ao mesmo tempo. E a lógica não passa de um produto cultural do ocidente.
Bem, vou parar por aqui que estou ficando cada vez mais confuso.
Desculpe a verborréia.
Falaremos mais claro noutra ocasião.
É um prazer falar com alguém inteligente.
Abraços,
V
P.S. Continuo falando com pessoas sobre seu projeto e as reações são as mais estapafúrdias.


Oi V

Prazer receber teu mail e obrigado pelo elogio, posso dizer o mesmo.
Nada como voltarmos a Nietzsche de vez em quando. Recentemente li pela primeira vez a Genealogia Da Moral e sai muito tocado, com as idéias e sobretudo pela originalidade do método - da genealogia no lugar da história.
Sobre o projeto, continuo muito envolvido, respondendo e-mails e descobrindo que o projeto tem dimensões que eu não esperava, me obrigando a estudar mais e me posicionar sobre questões que me são novidade, o que não deixa de ser muito interessante.
Forte abraço e até breve
Cezar

Da casa da Xiclet / e-mail

Artista sem idéia

Olá Cesar,

Adorei seu projeto, que mal há em outra pessoa fazer um filme a e outra assinar? discute-se ai a autoria tuuudo, fora isso VC enquanto pessoa própria de si mesmo, estará apoiando um artista o que é muito raro no meio, aqueles que questionam são justamente aqueles que nunca ajudaram ninguém, parabéns pela sua iniciativa, amei  seu projeto mas, quepena que não trabalho com vídeo buá....

Mas olha só estou te enviando um press-release da galeria que possuo aqui em SP. A Galeria "Casa da Xiclet" é independente e informal, e é mantida apenas com a colaboração dos próprios aristas.

Se eu tivesse visto o seu site antes , teria divulgado pro meus artistas mas....acho que agora num dá mais ne?

Bjos,

e mais uma vez parabéns.

Xiclet.

Não perca tempo me respondendo./ e-mail

Artista sem idéia

Caro Cezar Migliorin

 

 

Quando entrei no seu site pensei que seu projeto de arrumar 1000 doletas para quem tiver criatividade de fazer um filme fosse interessante, mas conhecendo realmente a proposta e com um conhecimento básico de picaretagem e marketing fajuto percebi o "esquema".

Nossa cara que ridículo....

Sinto muito que tem coitados que vão te mandar fitas querendo ganha um trocado. Por causa de gente como você não há indústria cinematográfica no Brasil.

Essa tua idéia por si só vale um prêmio Viper Basel.

Você realmente é um mecenas da cultura brasileira.

Espero que o coitado que for o vencedor gaste o $$$ com putas e drogas, pelo menos ele terá feito algo com o $$$ sem explorar ninguém.

 

Não perca tempo me respondendo.

Atenciosamente

 

profundo desprezo

Artista sem idéia

Caro Cezar,

desculpe lhe escrever assim, mas é só pra expressar meu profundo desprezo pela sua proposta artística.
Não acredito que falta de inspiração e de talento possam funcionar como proposta artística.
Tudo o q li a respeito do seu trabalho me soa meio como que essa desculpa furada de artistas que nao tem o que dizer como artistas (falta de criatividade? de profundidade? ) e se calcam num falso intelectualismo academico para posarem como tal.
é triste pois imagino que vc realmente acredita no que faz.
mas te digo, acho que esse é exatamente o lado oposto do que é interessante em arte.
arte de patota e de bula não dá não é meu chapa?

essas questões todas levantadas pela sua proposta (autoria, valor, blablabla) podem até ser relevantes e etc, mas pq não criar algo interessante ? algo de verdade? algo que tenha valor artístico realmente...

ou vc acha essa sua ideia genial?

não é meio primário isso tudo?
meio escolar?
meio academico?

não quero parecer agressivo, mas apenas colocar minha opinião.
sei que essa dscussao nao em fim, que vc deve acreditar nessa baboseira academica toda, que minha revolta deve parecer algo retrógrado e banal, mas acho triste ver essa idéia de arte ser ensinada como receita de bolo.

acho tudo isso bull-shit meu amigo.
não emociona ninguem, nao toca ninguem, nao fica na memoria de ninguem,
nao serve pra nada, só pra certas pessoas posarem de inteligentes.
mas isso é que é inteligencia???

se quiser me escrever fique a vontade.
abs


Caro....
Desculpa mas não achei seu nome no mail que você me mandou.
Olha, sinto que meu projeto não tenha te tocado, apesar de o teu e-mail apontar para o contrário.
Definitivamente não é fácil agradar a todos quando se faz arte, sobretudo se não é um projeto agradável, como esse.
Entendo sua ressalva quanto ao "academicismo" da proposta, você tem razão, existe uma certa discussão no meio acadêmico e de arte que raramente extrapola os seu limites.
Os acadêmicos ficam separados dos produtores, o que é uma pena. Talvez esse projeto seja uma micro possibilidade de esse encontro se fazer.
Mas, de qualquer forma, sobretudo no meio da arte nos últimos 30 anos (pós- Warhol), os trabalhos ficaram mais ligados ao pensamento do que à estética. Nesse sentido o trabalho acadêmico acaba encontrando os artistas, já que ambos estão pensando o mundo a vida, as formas de poder, de comunicação etc.
Sobre ser arte de "patota", como v. diz, talvez aqui novamente você tenha razão. Hoje são tantos artistas atrás de seus públicos que acabamos produzindo para muito poucos. No caso desse projeto que você comenta, ele talvez seja um de meus trabalhos que mais ultrapassa esse nicho. Ele dialoga com artistas consagrados e com estudantes. Alguns que desprezam a idéia, outros que tentam entender as condições contemporâneas para que tal projeto surja.
Caro, não acho minha idéia genial não, na verdade não me coloco essa pergunta sobre nada que faço, se eu esperasse as idéias geniais não saia da cama.
Penso apenas que na minha condição de artista preciso exacerbar o que acontece no mundo, para que a lógica deste venha a tona - É uma forma de pensar a arte e o mundo, apenas uma.

Abraço
Cezar Migliorin

Proposta 5

Artista sem idéia

Oi Cézar,
Li a matéria sobre o projeto na Folha e S. paulo e me solidarizei com esta causa.Eu também recebi um prêmio em Gramado 2002, 4 latas de negativos 16 mm FUJI , e também não consegui usar para filmar, estou sem dinheiro de produção. Portanto lhe ofereço outra proposta:
Eu te envio o roteiro, se você gostar nós podemos fazer o curta em parceria(com o dinheiro a ser pago) e você pode ser co-autor. O que acha? Além do mais o curta trata do tema prisão...
Acho uma idéia interessante, mesmo que fuja da sua idéia anterior. Se quiser posso mandar o roteiro para você.
Obrigado


Desculpa mas não tenho como alterar a regra que me impus.
Já estou recebendo filmes e não faria sentido mudar agora. Além do mais a sua proposta é a destruição da minha.
Bem torço para que consigas acabar o teu filme.
Boa sorte
Abraços
Cezar

pero que te has creído??

Artista sem idéia



pero que te has creído??
fas tu um filme en vez de comprar as ideias dos outros!


Olá,

Lo que estoy comprando es mas que la idea, es la autoría. La propuesta es mas radical do que creías.
Los filmes, los ago todo el tiempo, pero, por veces el artista tiene que radicalizar lo que pasa en el mondo para que su lógica aparezca.

Abrazo
Cezar Migliorin

Visite el sitio: www.migliorin.org


Ola, Cezar!

Paréceme que nâo entendo muito bem a súa proposta, e se entendín não gosto muito dela. O que voçê fala é que alguém fais um filme, voçê paga 1000 dólares e compra a autoría e os dereitos sobre o filme, o que ten iso de projeto artístico?? Iso máis bem é um projeto comercial.
Eu gosto muito da contemporaneidade e da criaçâo trasgresora, mais voçê me explica o que tem iso de radical como obra, en cuanto é o mesmo que fai cualquer produtora ou firma comercial?


Um saúdo.

Caro

Uma produtora ou uma empresa não avisam ao público que a obra foi comprada, não transformam a compra em uma ação pública, não explicitam o jogo.
Talvez a minha ação não seja tão transgressora assim. Acredito que mais do que uma obra radical, o que estou fazendo é aprofundar o que acontece cotidianamente e que fica velado pelo fetiche que se tem pela autoria, pela assinatura.
Repare; estou criando imagens.
A imagem contemporânea está fadada ao desaparecimento. Aparecem e desaparecem instantaneamente. É desafio de quem as produz inventar dispositivos que extrapolam a própria imagem, que inventem um em torno que garanta a existência delas.
Quando o público por assistir este filme, ele estará se relacionando com as imagens que alguém criou e editou e com um entorno que aponta para um estado contemporâneo da imagem que altera o que está sendo visto. Este efeito estético sem tocar na imagem me interessa.
Cara, não vou me alongar pra não te encher o saco.

Abraço
Cezar

Proposta 4 Cactos Intactus

Artista sem idéia

Caro Sr. Cezar Migliorin
 Nós do grupo de guerrilha cultural CACTOS INTACTOS, produtores incessantes e compulsivos de áudio visuais, nos interessamos em fazer a parceria proposta no seu projeto "Artista sem idéia".  Na fabulosa dinâmica cósmica, o que falta para alguns abunda para outros.  E nós, adoraríamos receber os tais "1000 US$ (mil dólares) por um filme/vídeo de qualquer duração captado em qualquer formato".
Somos o candato número 1. Senão em ordem de chegada, pelo menos em pré-requisitos e talento. O talento é inegável, pois o portfolio de cada um dos realizadores integrantes do CACTOS INTACTOS é extenso e substancioso. E uma importante característica do grupo é a quebra de hierarquias, a extinção da figura do diretor, o desapego à delimitação de funções e aos rótulos delimitadores destas funções.
Entregamos o nosso produto inédito em suas mãos para que o Sr. possa divulgá-lo da maneira mais conveniente, uma vez que os direitos sobre esta obra serão cedidos ao Sr., com a  condição de que a única modificação será a alteração do crédito, onde constará, a partir de nosso acerto, "um vídeo de Cezar Migliorin”.
CACTOS INTACTOS rejubila-se de participar deste projeto. Os anseios de realizar, divulgar, enfim fazer circularem idéias são infinitamente superiores do que a projeção dos egos na proposta conceitual do grupo. CACTOS INTACTOS vê e entende o projeto "Artista sem idéia" como uma roupa feita sob medida.
O produto (vídeo) que propomos para o Sr., dentro do escopo do projeto "Artista sem idéia", ainda não está fechado. Não queremos, e nossa índole não permitiria criar um engodo. Só aceitaremos o pagamento (mil dólares) da forma proposta: com a obra pronta.
Mas para fechar o nosso projeto, que tem o título provisório de "O Artista Sem Idéia", gostaríamos de desenvolvê-lo com o Sr. e de contar  com a sua presença na captação de imagens e áudio. A menos que o Sr. veja algum impedimento em ser filmado gostaríamos de tê-lo como personagem.  Não nos opomos a utilizar atores, entretanto.
Estamos localizados no Rio de Janeiro o que viabiliza a realização de nosso projeto, que poderá ser iniciado o quanto antes e realizado com presteza, e cujos direitos serão repassados ao Sr. pela quantia de U$ 1.000,00 (mil dólares).  Estamos atentos às suas necessidades e à disposição para o desenvolvimento do tema. A única coisa que pedimos é que definida a intenção de realizar o vídeo, a concorrência seja suspensa para trabalharmos com segurança, ou seja, não queremos receber adiantado, porém queremos a garantia de venda do produto atestada sua qualidade.
Com a certeza do nosso entendimento aguardamos uma resposta,




Caros senhores Cactos Intactos,
Vossa proposta me enche de alegrias.
O estabelecimento deste contacto já é motivo de jubilo para tão simplório projeto.
Infelizmente faz-se impossível vossa demanda. O edital uma vez lançado não pode ser alterado.
É com grande ansiedade que torço para que vosso filme se realize da melhor maneira e dentro do prazo estipulado pelo edital.
Quanto ao convite para atuação, preciso rejeitá-lo, reconheço meus limites.
Forte abraço
Cezar Migliorin




Proposta do Cactos Intactos para a realização do fake-doc O Artista Sem Idéia:
Uma entrevista atípica com o próprio Artsta da Idéia. O entrevistado é submetido ao paredão cultural do Cactos Intactos e torna-se o pivô de um debate que ninguém sabe aonde vai levar. A autoralidade do grupo manifestaria-se precisamente na seleção despótica das melhores passagens gravadas, a exemplo do Ex-Exú, que poderá ser visto na Mostra do Filme Livre.
Somos extremamente simpáticos a este diálogo com suas idéias ou ausência delas, evocativas do espírito dada.
Não o queremos como ator, pelo amor de Deus. Queremos apenas sabatiná-lo de maneira peculiar e inesperada. Fazemos o filme por nossa própria conta e risco. O prazo nos parece suficiente e aceitável.
O filme estará em suas mão dentro da data limite.
Torcemos para que aceite nossa inscrição.
atenciosamente
CACTOS INTACTOS



Caro Cézar,
Segue em em anexo nossa proposta de fazer um fake-doc (gênero cinematográfico criado por nós) com você. Uma viagem ao redor do umbigo do artista contemporâneo, submetido ao vexame de ser, com raríssimas exceções,  reles marionete da indústria cultural. Ou seja lá o que for.
Avalie por obséquio.
C.I.



"A PROPOSTA"
NÃO QUERO SER CÉZAR MIGLIORIN OU MEU NOME NÃO É CÉZAR MIGLIORIN
(pré-roteiro)
INDEFINIÇÃO BÁSICA E INSOFISMÁVEL: trata-se de um filme de C.M. com o Cactos Intactos ou um fake-doc de C.I. com Cézar Migliorin?
Cézar com a camiseta do Cactos Intactos e cercado de cactos reais. Plano fechado.
Cactos Intactos pratica anti-arte empenhando-se em dissuadir aspirantes a artistas.
Artistas viraram uma praga no mundo de hoje. Por que?
Urge desglamourizar a arte para que ela deixe de atrair egos ávidos por publicidade e candidatos à celebridade fácil.
Nosso objetivo é cortar o mal pela raiz desestimulando o ingresso no mundo artístico de indivíduos movidos precipuamente pela ambição pessoal e pelo narcisismo delirante. Para estes fins fúteis, existem os pig brothers da vida.
Migliorin será portanto, tentado, exortado, instigado, induzido e coagido a renunciar às suas pretensões artísticas. Até porque ele mesmo não tem pejo nenhum em declarar-se um artista sem idéia, o que equivale talvez a um boxeador tetraplégico ou a um piloto cego de carros de corrida. Caberá a ele resistir ou sucumbir, subscrevendo um documento em que se compromete jamais voltar a assinar qualquer tipo de obra artística na vida.
Cactos Intactos, ao contrário de C.M., orgulha-se de constituir uma idéia sem artista (ou autor), manifestação bruta e espontânea de criatividade transpessoal.
Os integrantes do grupo de guerrilha cultural não consideram-se propriamente artistas e sim ativistas culturais. No máximo médiuns mundanos do inconsciente coletivo.
E assim, não se darão por satisfeitos enquanto não persuadirem Cézar Migliorim de que ele, na verdade, não é ele mesmo.
Intencionamos demonstrar que a noção de identidade convencional, baseada em registros cartoriais compulsórios representa, de fato, um fichamento policial preventivo que facilita o minucioso controle exercido pelo sistema sobre as individualidades. Neste contexto, a liberdade de ser diferente é coibida pela obrigação de ser sempre o mesmo.
Perguntas certas:
Cézar Migliorin não é por acaso um nome múltiplo?
Ou um condivíduo? Não seria melhor que fosse?
Etc...
 



Topado.
Abraços
Cezar


Caro Cézar,
Segue em em anexo nossa proposta de fazer um fake-doc (gênero cinematográfico criado por nós) com você. Uma viagem ao redor do umbigo do artista contemporâneo, submetido ao vexame de ser, com raríssimas exceções,  reles marionete da indústria cultural. Ou seja lá o que for.
Avalie por obséquio.
C.I.
 


Vamos lá.
Como disse anteriormente, a proposta está aceita.
Gostaria, entretanto de estabelecer alguns limites.
Camiseta não.
Gostaria de ter um limite de tempo para a entrevista; 30 minutos
minha disponibilidade de horário é: manha de quarta e manha de sexta.
Levarei comigo uma pessoa que registrará todo o encontro.
Pensei no Jardim Botânico, mas estou aberto a outras propostas.
Abraços
Cezar Migliorin






Quanto a estipular limite de tempo, tudo bem. Mas isto nos obrigará a estipular também um limite de tempo para as suas respostas. Digamos um minuto cada uma. Alguma coisa contra? Senão apenas 30 minutos podem não render o esperado.
Pode optar por não envergar a gloriosa camiseta do Cactos, mas será presenteado de qualquer forma com um exemplar.
Não achamos conveniente realizar a (anti) entrevista ao ar livre porque pode prejudicar bastante a captação de som direto que estamos planejando. Por isso oferecemos uma cobertura em Botafogo repleta de vasos de cactos, com o qual desejamos compor o cenário.
Sexta-feira nos parece o dia mais adequado. Que tal marcarmos 10 e meia da manhã?
Abs,
C.I.



Salve,
Bem, em relação ao limite de tempo, é só para não são ser uma entrevista exaustiva e sim algo concentrado, acho que não devemos também transformar o encontro em um debate da Globo: "seu tempo acabou..."
Agradeço o presente e a gentileza.
10;30 está ok.
Botafogo também. O lugar é seguro?
Aguardo o endereço
abraços
migliorin





Oi, Cesar.
Espero que tenha recebido nosso último email com o endereço do apartamento onde vamos fazer o filme.
Uma pergunta: alguma possibilidade de transferirmos a data para segunda-feira dia 14, no mesmo horário e local?
Se der, responda por favor o quanto antes. É importante para nós saber o mais rápido possível.
Se não der, tudo bem. Mantemos o combinado, mas seria muito melhor pra gente se pudesse ficar para segunda.
Valeu.
Abs,
 


Olá,
Ok, fechamos na segunda, 10;30
Abs
Cezar




Salve Dado.
Olha, estou confirmando com o Pessoal do Cactos iNtactos a entrevista
na sexta 10:30. Vai ser em um ap. em Botafogo - O lugar é seguro!!
Estou te mandando 3 arquivos.
Uma entrevista para uma mulher de um jornal do interior de Minas, onde
falo do A e D e Lemisnki TB.
A matéria da Folha
Uma entrevista para a Bravo _ que eu não sei ainda o que vai sair.
Acho que esse é mais o menos o nosso roteiro. O resto é contigo.
Pensei em nos vermos na quinta para eu poder te passar o que
conversamos na negociação da entrevista e o que mais quisermos
conversar.
Abração
Cezar

 


OK Cezar, data modificada pra segunda. Acho mesmo bom a gente conversar antes. Vou ler o material todo e depois te ligo. Pense que eu vou estar te interpretando, e que isso me dá certa liberdade. Ou seja, não vou fazer você como eu acho que você realmente é (até porque isso já seria algo bem distinto do que você é de fato), mas vou criar um Cezar personagem, mas isso já está subentendido, né?
Sigamos em contato.
Abração,
Dado


O filme feito pelo Cactos Intactos a propósito do edital do projeto Artista Sem Idéia já deve ter chegado às suas mãos. O Mário levou pessoalmente o cd-rom com o filme até a sua portaria. As fichas estão lançadas.
Parabéns.
C.I.
 

Com Marcius Barbieri/por e-mail

Na boa,
É sério mesmo??
Li isso na internet, no porta curtas, mas de boa, o q você quer com isso?
Com 1.000 dólares (3.000 reais) vc não vai comprar os direitos autorais de um curta 35mm.
Pois evidente o curta vai ser mais caro para o realizador.

Assim sobra comprar filmes em DV.
Será que alguém vai vender um filme por 3.000 reais se for bom mesmo?
Acho que é isso que está procurando.

Porque vc não compra um roteiro? Acho mais fácil. Ainda mais porque vc pode realizar o filme, ou seja, planificar e dar a sua cara a ele; e não comprar feito.

Bom, não te conheço, mas como enviou um email para o meu endereço, estou te enviando minha opnião. Ainda não sei se quer se promover ou se tá falando sério. Se está, é uma pena.
Ou quem sabe está querendo fazer um filme com isto. O que seria uma boa, como "Viva o cinema".
Acho um caminho melhor. Realizar filmes.

Porque se vc está querendo comprar filmes só para ficar "tirando uma" em festivais é muito triste.
Fazer cinema é bom. Viajar pelos festivais também, mas é um pouco vazio se não há arte de verdade. Não acha?

A "indústria" dos festivais pode fazer com que atitudes como esta sejam verdadeiras. Que m...

Mas desconfio que você está pensando em outra coisa. Espero...

Marcius Barbieri







Oi Marcius,
que bom que você respondeu.
Olha, a proposta é séria mesmo.
V. tem razão em dizer que 1000 dólares é pouco. Também acho, mas também sei que 95% do que se produz foi feito com menos que isso e que 98% nunca ganhará 1000 dólares com seu trabalho - os números são um chute, mas intuitivamente me parecem próximos da realidade.

Não me interessam os roteiros, não me interessa dar a minha cara e mais, os filmes que v. vê tem a cara de quem os faz? Me diga quais são que eu estou curioso.
Esse autor que você deseja não existe mais. Ele é só um fetiche hoje.
O filme que eu vier a comprar terá a minha cara como poucos filmes que você encontrar pela frente e, mais, a minha cara muda com muita frequência, ela não é uma imagem fixa que encontra um filme que a represente. Ela é o que eu sou e o que você vê. Além do mais, as imagens que fazemos de quem são? Do mundo que parou na frente da câmera ou dos engenheiros da Sony. O que quero dizer é que este autor todo poderoso que tem uma subjetividade única, intocável e que não tem como ser trocada por valor, não existe. Lidemos com os fatos, é a partir deles que podemos agir.

Sobre se promover, não entendo direito o que é isso. Quero produzir pensamentos e acontecimentos estéticos e o fato de você ter me escrito me força a pensar em diversas coisas, fico feliz com uma ação que provoca a sua ação. Se isso é se promover... não temo a promoção se dela depende minha ação como artista. Tão poucas coisas nos fazem parar um pouco para pensarmos porque fazemos o que fazemos não é mesmo?

Você fala ainda sobre coisas que eu não tenho como discutir; não sei o que é arte de verdade e arte de mentira.
Não sei direito o que é "tirar uma". Mas, não consigo me imaginar como artista sem ser forçando o limite do que acontece. Talvez a única forma de pensar um determinado estado de coisas seja explicitando a sua lógica, se sujando também.

Quanto as festivais, você tem toda razão. Ficamos marginalizados a eles, sem eles nossos filmes desaparecem - praticamente - É triste. Acredito que este projeto provoca os meios institucionalizados de produção - editais - e mediação - festivais. Que é o artista? O que inventa imagens ou que faz a mediação?

Abraços
Cezar Migliorin






O artista é o que se transforma no processo artístico.
Você comprando algo, não se torna um artista. Se torna um comerciante.


Não acredito em uma "cara" para a arte. Pois isso é prisão. Acredito na essência. No estilo.
E com muitas faces. Não sei se me entende.
Quando vemos a filmografia de um artista, podemos ver sua identidade. Ou não??

Se não fosse assim, não reconheceríamos as obras de Van Gogh.
Quanto aos que vem depois e o copiam...
Digo Van Gogh, mas claro, existem muitos outros. Vc me pediu para citar...
Picasso, não?? Chaplin??? Feline???
Talvez você esteja contestando a cinema atual.
Peter Greenway??? Kiarostami??? (não sei se escrevi certo) Kirosaura (tá foda lembra com se escreve...)

Não há nada em comum entre a "Estrada perdida" e "Cidade dos sonhos" de David Lynch??
Os filmes podem não ter a mesma cara, mas não poderiam ser comprados. Quero dizer, podem ser comprados, mas não é qualquer um quem faz.

Você diz que não existe mais este artista. Que é fetiche hoje.
Não falo de cinema comercial americano ou do cinema da Globo filmes.

Falo de artistas. Não estou falando de refrituras visuais.
E mesmo que sejam iguais ao seu ver, não é legal fazer??
Você tem mais prazer em ir a um festival ou em realizar um filme, ou melhor dizendo, ou em participar de um processo artístico de verdade. Onde haja transformação.

Mais uma vez... A arte (para mim, lógico..) só ocorre quando o artista se tranforma no processo de criação. A partir daí, ela (a obra) pode ou não transformar também uma outra pessoa que entrou em contato com ela.

Se um homem pinta um quadro de frutas para vender na rua, não é arte.
Pois não houve nenhuma transformação desta pessoa no processo, só pintou para vender.

O artista muda, claro, justamente por se transformar a cada processo artístico.
Fazer arte propicia isto. A quem faz...

Acho que desistiu muito cedo. Talvez por não ser ou não se considerar um artista.

Acho o que fala sobre as imagens uma grande desculpa. Os enquadramentos podem ser parecidos, iguais; mas você acredita mesmo, se derem um mesmo roteiro para mim e para você; que faremos um filme muito parecido? Só porque usamos a mesma câmera da sony? Ou usamos planos usuais, como primeiro plano e e tc??

Qualquer filme tem a sua cara??

Se neste seu projeto, você estiver procurando a provocação e a discussão sobre este assunto (o que é arte cinematográfica neste momento), perfeito. Aplausos para você.

Mas se o seu objetivo é curtir Festivias, tá mal. Na minha opinião. Estou sendo sincero. Sem brigar nem nada, acho que cada um segue seu caminho. Fico triste por ver que o fim (os festivais) está sendo muito mais valorizado que o meio (processo artístico). Mas isto já é fato...

Li o seu email novamente e ficou ainda a dúvida:
Está fazendo isto para questionar ou para tirar onda, se é que você me entende?
Estou perguntando na boa, na sinceridade. Foi mal se te ofendi, não foi a intenção.

Vou ver "seus" filmes. Fiquei curioso. Procurei no porta-curtas mas não está disponível.
Quem sabe te conheço em algum festival. (risos)
Se ficar com curiosidade de ver os filmes que fiz:

O cego estrangeiro
Sexo virtual tátil

Acho que vão entrar neste mês no porta-curtas.

Sorte no seu projeto. Conversamos mais sobre ele depois. Mesmo que não chegue a lugar nenhum...
Brincadeira, sempre chega a um lugar, mesmo que este seja o caminho individual de cada um.

abraços
marcius



From: cezarmig@visualnet.com.br
Subject: Re: CHAMADA PARA PROJETO
Date: January 25, 2005 8:48:26 PM GMT-03:00
To: marciusbarbieri@hotmail.com

Não sei se você pretendia continuar a conversa, mas me senti tentado.
Cara, não imaginas como tenho me transformado com meus filmes. - e concordo que arte é isso tb.-
Com esse projeto então nem te conto. Nunca um filme me deu tanto trabalho, nunca comunicou tanto, nunca me obrigou a pensar e repensar minhas opcões, nunca me conectou com tantas pessoas tão diferentes, nunca me proporcionou encontros tão ricos.

Na minha experiência como artista acho que nunca tinha criado algo que deixasse as pessoas tão perdidas, tão a procura de um lugar possível para se reestabilizar.
Se é filme, audiovisual ou não, acho que é secundário.

Claro que com roteiros iguais faremos filmes diferentes, mas o que quero dizer é que o que nos difere, o que difere a grande maioria dos diretores, é algo muito menor do que o que os aproxima.
O autor é alguém que está em vários lugares ao mesmo tempo, que se apaga de filme a filme, que não tem essência porque pode se reinventar constantemente.
Desculpa pegar teus exemplos; mas quando Fellini faz Ensaio de Orquestra os críticos procuravam "o verdadeiro Fellini", ou quando Lynch faz Straight Story, a mesma questão... Poderíamos continuar nos exemplos.

Reafirmo tua crítica à importância dos festivais, mas é fruto também de um estados das coisas; não é só no cinema que os mediadores assumiram tanta importância. veja o caso dos curadores nas artes plástica, dos DJs na música e da própria mídia que faz as coisas existirem ou desaparecerem. A novas inventar outras e alternativas mediações.

Questionar ou tirar onda?
Você quer uma resposta mesmo?
Você acha que esse projeto merece ser resumido a essas duas possibilidades?

Nos vemos,
no meu site v. pode ver onde os filmes serão exibidos.
Aguardo teus filmes no Porta Curtas, já ouvi falar do "Cego".
Continuo aberto aos teus bons questionamentos.

Não desisti não, pelo contrário, nunca fui tão intenso.

Abraços
Cezar




Cezar,

Fui ao seu site.
Quanta curiosidade... (risos)
Vi que trabalha com montagem.... Massa... Também estou montando. Vou te enviar um DVD com os filmes que fiz roteiro/direção e as montagens também. Assim, se não te importunar muito, podemos trocar idéias sobre a montagem dos filmes. Uma opnião sua... Afinal estou começando (montei uns 9 curtas). Montagem é uma grande escola.

Vi que montou alguns clipes e longas. Mestrado e doutorado... Então, está sério neste seu projeto...
Fiquei mais curisoso. Pelo q vi vc faz um trabalho contestador e provocativo. Pelo menos foi a impressão q deixa com seus trabalhos digitais. Quero ver. Começo a entender um pouco....

Não precisa me responder. Acho q captei.
Também acho que não vai ficar aí comprando curtas. Duvido que não vai fazer outros.
Está claro no seu portfólio. Comecei a gostar, apesar de os emails já terem sido interessantes, e fomentadores de um pensamento; para mim...

Artista sem idéia... hummmm.. sei...

espero seu endereço
e por favor me envia seus filmes em DV, fiquei curisoso.

marcius




Cezar,

Que bom que está trocando esta idéia comigo.
Ontem, depois que te escrevi pensei, quantos emails vc poderia estar recebendo com este projeto.
O meu é apenas mais um. Isto é legal, afinal, trocar idéias quanto a arte, cinema e enfim outras coisas do tipo sempre é bem vinda.

Ok, não vou falar mais sobre o q acho da arte e o q você acha.
Nestes emails já percebi sua ideologia. Não acho q está errado. Nem eu. São caminhos cara, só isso.

Só te perguntei sincereamente porque não te conheço, não vi teus filmes. Se te conhecesse não perguntaria isso. Mas de certa forma estou conhecendo um pouco.

Te escrevi porque vc me enviou um emal para minha caixa pessoal.
Assim começamos uma conversa pessoal também.
Quero deixar claro, não pretendi te ofender em nenhum momento. Se me conhecesse saberia.
Na verdade te provoquei (no melhor dos sentidos) para saber como vc respondia a um questionamento do seu projeto. E mais, devo confessar, quando li seu email pensei, ou o cara sabe o que tá fazendo ou tá de onda. Não estou afirmando que está de onda, só queria saber qual é...

Estou vendo que está com um caminho, e isto é legal.
Se é pro bem, espero que colha muitos frutos. Para mim, já está funcionando, pois estou pensando no assunto. Por isso te escrevi de novo e agora também. Se estivesse puto contigo não escreveria.

Mas acho que por estar com muito trabalho neste projeto, não quer dizer que é arte.
E se vc ainda não se transformou com seus trabalhos, é uma pena, talvez por isso esteja com esta postura e este crédulo.

Acho que se pode transformar sim nos processos, digo isso por mim, que faço Teatro, música e cinema a mais de 10 anos e me transforamo a cada processo, porque não faço cinema para festivais nema teatro para encher a casa. Para mim, o mais importante é o processo, onde ficamos pensando no assunto durante meses. A exibição ou projeção é somente o resultado deste processo.

Mas isto é muito pessoal, pois vivi isto.

Se te perguntei se o seu projeto é para questionar ou para curtir festivais, é porque estou realmente interessado na resposta.

Se existe outra possibilidade para este projeto, me responda, estou interessado.
Começo a ver pelas suas respostas que este projeto está te possibilitando conversas diversas, como esta.´Vc pensana nisso quando começou?

te perguntei porque no texto q colocou no site fica meio tira onda mensmo "Ganhei 3 mil num festival no exterior, vou pagar mil por um filme.. me perguntaram se tinha outro projeto..."
Pode ter sido uma má interpretação minha ao seu texto. Acontece... Por isso te pergunto.
E mais, se não tivesse me enviado a mensagem ao meu email pessoal nunca teria te contestado a respeito. Mas enfim, estamos dialogando...

Acho que o artista TEM SIM sua essência, ele tem experiências, ele é um indivíduo que se transforma. E sua arte também. Não faço meus filmes da mesma maneira, se quiser te mando um DVD, seria um prazer, falando sério. Mas acredito que mesmo fazendo eles bem diferentes, há uma essência minha nisto. A maneira que escolhe os atores, as locações, a maneira de representar e o tempo das coisas.

Com certeza meus filmes serão diferentes (espero conseguir), mas eles vão representar de certa forma "eu" naquele momento.

Por isso, no seu exemplo a crítica procurou um verdadeiro Fellini naquele filme e não achou. Porque eles estavam procurando um "padrão" Felline, e isto não existe, vc tem razão.

Pensando no assunto, se vc acha que qualquer filme pode ter a sua cara, poderia fazer um filme e colocar seu nome nos créditos com se o filme fosse seu? Sem te mostrar?? E começar a inscrevê-lo em festivais???

Você acha mesmo que qualquer filme pode ter a sua cara?
No momneto que escolhe, já está colocando um pouco da sua essência na escolha. Não acha?
Vc vai escolher um filme que tem a ver contigo, ou que vc gostaria de ter feito, não é?

Mais uma coisa:
Mediadores são mediadores. Não são artistas. A mídia coloca qualquer coisa na mídia. Faz um presidente e põe um monte de adolescente na rua para tirar o mesmo. Isso não é arte, é manipulação. Um DJ que coloca uma música de outro e na sequência coloca outra música não é artista. Ele só está colocando música dos outros em uma festa. Se ele mistura e/ou altera aquela música com outra ou com alguns efeitos (ou o que seja) e ele transformar aquilo em outra coisa, já é melhor que ser apenas um "tocador de disco". Realmente ele não é um artista. Artista foi aquele que se transformou quando estava fazendo aquela música, ou aquela letra. O que escreve uma letra falando do biquinho do peitinho dela, NÃO É ARTISTA, apesar de estar tocando música na rádio.
Assim como o cara que pinta frutas para vender na feira. Não são artistas. Para mim. Assim, estes seus exemplos não fazem sentido para mim.

Quando compra um filme e só coloca seu nome, não está sendo artista. Assim como o DJ que só coloca a música para tocar.

Vc está questionando o PODER e não a arte. Acho que com a distribuição de massa, o PODER de distribuição é fortéssimo. Assim a importância dos mediadores de galerias e dos fodões das emissoras ou das distribuidoras de cinema.

Acho que estamos flando de coisas distintas, não?
O que você quer?
Ser um mediador ou ser um artista?
Pausa... Quando falo de artista, estou falando da busca de transformação.

Espero que não fique puto comigo, estou trocando uma idéia de boa.
Talvez se agente se conhecer pessoalmente e trocar algumas idéias, agente se entenda melhor, respeitando as diferenças, é claro.

Se quiser um DVD com meus filmes, me envia seu endereço, será massa.
Poderá ver que estou tentando me transformar com os trabalhos. Mas é claro que também poderá não ver nada disso.

abraços sinceros
e obrigado pelo papo

marcius

Proposta 3

Artista sem idéia

Sr. Artista Sem Idéia, Cezar Migliorin, tenho três propostas.
Uma é um longa que narra três histórias verídicas, passadas num mesmo cemitério, sobre situações inusitadas que culminam com um bizarro encontro amoroso.


Duas outras propostas são de curtas, um sobre o tempo, onde um homem escuta um sino tocando o tempo todo, mesmo depois da catedral ter sido demolida; e outra que nada mais é do que uma adaptação da Caverna de Platão, neste caso, há em Piracicaba um túnel, onde foi filmado um longa chamado "Por traz das cortinas", com Luiz Mello, Marisa Orth e Denise Fraga, onde escrevi as cenas para adaptar àquele ambiente.


Todas são inéditas e possuo apenas os roteiros, que eu mesmo escrevi.


Abraço

Proposta 2

Artista sem idéia

Olá, Cezar !

O último curta que escrevi e diriji participou do Fest.Black & White em Portugal.  Tenho outros roteiros prontos, inclusive para fimes de até 15 min, porém não tenho condições de produzí-lo neste momento.  Poderíamos entrar, talvez num acordo e quem sabe, deixá-lo pronto (editado e tudo) para vc.  Tudo talvez seja uma questão de conversa.  Se topar, dá para ser rodado em dois dias. Tenho tudo em mãos, só falta a grana para aluguel de material, etc.  Tenho atores profissionais que estão prontinhos para atuar em curtas. Deixo meus tels para contatos se interessar.

Olá, Cezar !!!

Tenho, como roteirista e diretor, um acrevo de roteios inéditos, porém me falta grana para rodá-los.  Estou com tudo em cima.  Seria interessante para vc trabalhar num em que pode ser rodado em dois dias ?  O último fest.que participei foi o Black & White em Portugal.  Havendo interesse em trocarmos figurinha, deixo meus e-mails e telefones.

Abraços

Caro,

O projeto Artista sem idéia aceita apenas filmes prontos, finalizados e inéditos.
Espero que v. consiga fechar um dos teus projetos para me mandar.
Te desejo boa sorte.
Abraços
Cezar Migliorin

Perguntas

Artista sem idéia

Saudações

 

Me desculpe a pergunta, mas isso é algum tipo de piada? Experiência sociológica? Roteiro para um filme?

 

1 - Quem abriria mão do próprio filme para vendê-lo a você? Alguém que quer/precisa de dinheiro, claro, mas...

 

2 - Qual seria a sua credibilidade depois? Que público/festival/imprensa aceitaria o "seu" filme, comprado de outro? Ou...

 

3 - Você pretende manter isso em "segredo"? O que me leva à pergunta zero...

 

4 - Isso é algum tipo de piada?

 

Abraços (confusos e interessados sobre de que isso se trata na verdade),

 

Que Canalha / Obseno / por e-mail

Artista sem idéia

    eu achei essa história meio absurda, vc não?...


" O cara quer comprar um filme e assinar como se o filme fosse dele?... Isso chega a ser cretino... "



 Cezar,

Eu vi seu site, mas não me lembro de ter feito qualquer cadastro para receber  “spam” de qualquer natureza, mais eis que surge o seu email abaixo. Isso me deixa à vontade para fazer meus comentários sobre sua iniciativa da mesma forma não solicitada que você me enviou sua proposta: . Quando visitei seu site, achei ridícula essa idéia de comprar a autoria de um filme já pronto. A proposta genérica, num site, não ofende ninguém, afinal pode-se tomar conhecimento dela e esquecê-la ou aderir a ela, depende da índole de cada um. Mas a partir do momento que envia a proposta diretamente para a caixa postal de alguém, tendo obtido o email de forma arbitrária,  você, além da idéia ridícula,  ainda invade a privacidade alheia de forma desavergonhada e repugnante. Uma olhada no seu  curriculum (seria tudo comprado?)  não daria para imaginar que precisasse fazer uma proposta tão obscena, principalmente a pessoas que nem conhece..

Este meu email certamente lhe passará desapercebido, mas se o ler, será que vai lhe despertar um mínimo de constrangimento?  Com certeza que não!

Caro,

Antes de mais nada, desculpe. Não era minha intenção provocar tamanho transtorno.
Antes de mandar a chamada para o meu projeto fiz uma rigorosa seleção de quem o receberia. Escolhi algo em torno de 250 nomes de pessoas ligadas às artes plásticas e ao cinema e por algum motivo seu nome foi incluido. Talvez porque o tenha confundido com outra pessoa, talvez porque estivesse em alguma lista com preocupações semelhantes, não sei.
Tudo isso para dizer que não considero meu e-mail um spam; não foi mandado para um número gigantesco de pessoas, não tem finalidade de vender nada, não utilizei programas especiais para mandá-lo nem caixas postais compradas ou que não me pertencessem e, mais importante; tenho condições de estabelecer um diálogo com todas as pessoas para quem mandei uma cópia do projeto.

Bem, de qualquer forma é curioso que você tenha ido até o meu site, olhado meu currículo etc. Imagino que mesmo achando a idéia "ridícula" ela te despertou alguma curiosidade. É uma pena que o meu curriculum não tenha tenha aumentado a tua curiosidade; porque esta idéia? Porque esta proposta?Por que esta transparência?

Bem, posso te dizer que fiquei constrangido sim. Mas às vezes nossas ações nos ultrapassam, causam efeitos que nem podemos prever e ser artista é um pouco isso; criar e lidar com coisas que fazemos e que nos fogem ao controle.

Abraço
Cezar Migliorin



Cezar,

 

Certamente meu nome foi incluído em sua lista porque estou ligado ao cinema, sim, faço curta metragens, participo de festivais, etc. Agora mesmo tenho um filme selecionado para a Mostra do Filme Livre 2005.

 

Bom, como disse, a proposta genérica colocada num site fica a critério de quem quiser aceitá-la ou não. Ponto final. Não gostei, sim, de recebê-la em meu email e aí minha indignação.

 

Olhar seu currículum foi, sim, uma indagação: quem faz um tipo de proposta assim? Mas pelo que vi, você não precisaria lançar mão de um artifício desse para “autorar” um filme e participar de algum festival... Além de fazer filmes, exerço a advocacia. Assim como seria incapaz de “comprar” uma petição pronta de um colega advogado para apenas assiná-la, da mesma forma consideraria absurda a idéia de “comprar” um filme de alguém para ter meu nome lá como diretor, autor, etc.

 

Mas como somos civilizados, lhe escrevi manifestando minha indignação,  você me respondeu, acato seu pedido de desculpa e assunto encerrado. Como você colocou essa idéia polêmica “ no ar”, evidentemente está preparado para ouvir/ler comentários contra ou a favor. Afinal, num mundo livre todos têm o direito de fazer o que bem quiser, desde que não invada/ofenda a intimidade/direito alheios.

 

Abraço,


Caro,

Que bom que o diálogo é possível apesar das diferenças.
Mas, preciso fazer uma observação. A arte não pode ser comparada à advocacia. Elas lidam com princípios distintos. Na arte é possível forçar um limite do que acontece na sociedade para que a sua lógica venha a tona. Os advogados que compram petições, e é de se imaginar que isso aconteça, não podem ser transparentes, precisam ficar bem calados. Na arte é diferente. Posso me incluir na lógica critico para que ela efetivamente cause algum efeito.

Desculpe se não encerrei o assunto como você desejava. Mas isso não é uma decisão unilateral.

Abraços

Cezar Migliorin

ARTISTA SEM IDÉiA anual.

Artista sem idéia



Gostaria de agradecer ao Cesar essa iniciativa maravilhosa.

Estou chegando de viagem duríssima e cheia de idéias, veio direitinho a
calhar...
Claro que poderia ser mais, e tenho certeza que se Cesar pudesse daria mais,
mas podendo realizar um filme e depois ainda talvez comprar meu tão sonhado
fusquinha, genial... caso meu filme (meu?) seja selecionado, claro.

César, você poderia fazer isso uma vez por ano?

Fica então uma sugestão: Abra seu próprio edital César, ARTISTA SEM IDÉiA
anual!!!
Um edital simples e honesto...

Boa sorte a todos os participantes,

Karen Akerman

Você está sem idéias - Por Arthur Omar

Caro Cezar,

Realmente você está sem idéias, já que um projeto de artista sem idéias pedindo idéias num balcão de idéias já estava presente na última Bienal de São Paulo, e mesmo lá, não parecia uma boa idéia, exatamente como todas as idéias que são exatamente apenas boas idéias e para viverem como tal foram criadas.

Pensando em participar do concurso, e certo de vencê-lo, pois acho que tive uma boa idéia, solicito um esclarecimento sobre as regras apresentadas.

Nas tres regras constantes do seu “edital” de convocação, há o compromisso de respeito que você assume com a idéia (o vídeo) que for selecionado e apropriado por você, isto é, o video que receberá o prêmio que lhe dará o direito de usá-lo à vontade. Mas o que acontecerá no caso de haver, por parte do editalista (você) uma apropriação ou uma inspiração, mesmo que velada ou disfarçada, de uma idéia não paga, isto é, não comprada pelo 1000 dolares referidos no edital, mas visionada, discutida e analisada, e rejeitada por você, porém reservada no inconsciente para uso ulterior?

Há pois, nesse edital, a necessidade de uma quarta regra sobre o compromisso assumido com as idéias (vídeos) apresentados e que não lograrão ser os vencedores do concurso. Haveria um compromisso formal seu de jamais fazer nada semelhante ao que foi apresentado, mesmo que isso se torne moda um dia e todo mundo esteja copiando?

Um abraço do Arthur Omar


Caro Arthur,

Que bom que você está pensando em participar e, realmente, a possibilidade de você ganhar é quase total.

O trabalho da Bienal eu concordo plenamente com você, não era uma boa idéia, parecia uma brincadeira infantil, não estabelecia um dispositivo de seleção das "idéias", não era direcionada aos artistas, não investia no próprio sistema das artes e, sobretudo, não estabelecia um valor para as "idéias".

Poderíamos ficar bastante tempo lembrando de obras com as quais este projeto se relaciona, não teríamos dificuldade. A força dele não é a originalidade absoluta, mas pelas reações que estou recebendo percebo que ele contém alguma novidade muito grande que nem eu desconfiava e que ainda estou tentando entender. Posso te garantir que todas as minhas expectativas estão superadas, o que pode ser só a ignorância geral.

Agora, sobre a proposta da quarta regra, ela é absurda.
O que você está me pedindo é que eu me abstenha de estar vivo, estar no mundo.
Como pedir que eu não seja tocado pelo que vejo e ouço? Como pedir que o meu inconsciente seja administrado por mim? Só me matando.
Plagiar não está nos meus planos, é mais fácil arranjar uma grana e comprar, filme, idéia, tudo.
Ainda, se tememos esta "inspiração, mesmo que velada ou disfarçada", não poderíamos mandar nossos projetos para editais, nossos filmes para festivais, nossos textos para publicação, nossos projetos para empresas e mesmo nossos trabalhos nunca deveriam sair da gaveta.

Caríssimo,
Aguardo ansioso sua boa idéia.
Forte abraço
Cezar

Um pessoa assim fica feliz qdo vira notícia

Artista sem idéia

Amigos...alô Mario Silva. Um dia vi numa entrevista do Ratinho no programa da Marilia Gabriela que ele queria ser produtor de cinema. Queria filmes com final feliz ''ao contrário de Central do Brasil'' um filme triste que coloca o brasileiro pra baixo.
Olha, ontem ia xingar esse cara e...caiu minha conexão e eu deixei pra hoje. Mais calmo, vi que o 'negócio' é não levar a sério. Um pessoa assim fica feliz qdo vira notícia. Não levem a sério..só isso. Para o nada, nada.

de uma amiga jornalista

Artista sem idéia


meu neurônio único de loura não me deixou compreender bem o seu projeto.
Digo, o projeto entendo, mas o que exato vc ganha e o autor do video/filme
ganha, não visualizei.
vou te dar uma ligada, me dá seu fone?

uma boa ironia / por e-mail

Artista sem idéia

Me gustaría presentar:

Forgetting, Jorge La Ferla, 6´, Argentina, 2004

necesito dirección postal para enviar.

JLF

(Jorge se refere ao vídeo "O esquecimento", realizado por mim em 2003.)

Si es inédito…
Que bueno!,
Debe ser un video sublime.

Dirección e ficha de inscripción: www.migliorin.org

Abrazo Fuerte
Cezar

Conexões Poéticas / por e-mail

Artista sem idéia


vendo tudo

vendo tudo
tudo que não é para vender
tudo que não é para se ver
vendo tudo
a alma à vista
o diabo a quatro
tudo que não é para se olhar
tudo que não se pode comprar
vendo tudo
uma lente usada
um olho de vidro
vendo tudo


Chacal,
in Letra Elétrika (1994)

Cezar,
um abraço, valeu valeu valeu, demais, manda ver, ja ta
resultando a proposta



Dai à César o que é de César.
Agitador, agite antes de usar.
Os U$ vão para o selecionado, mas nada paga o movimento que vejo, pessoas
vertendo sua poesia, a eletricidade desses cérebros "agitados".
Finalmente a poesia.
Abram suas cacholas, todos temos fome



Canção de Rubem Jacobina, o Rubinho

"Artista é o Caralho"

Eu sou bom de cama
E sei fazer café
E ninguém reclama do meu cafuné
Mas
Artista é caralho
É o caralho!

Sugestão para trilha sonora...
(Sugerido pelo Gueron)

Entusiastas / por e-mail

Artista sem idéia

Sensacional! Ideia absolutamente genial! Fico feliz de de alguma forma estar sempre perto de vc e de seus trabalhos.

Luis Vidal


a, você é incrivel...Estou pensando em te mandar algo...
Beijocas.,dani


até que para um artista sem idéias tens muitas.
vamos ver se faço algo
b
p


César, você é um adorável provocador!
Beijo,
Beth


cezar, dessa vez voce se superou.
to precisando de grana, vou mandar
beijo, vamos nos ver, to de volta...

k.

Cezar
a idéia é ótima!
rs
h


Sensacional,
estou super motivado, vou me apressar para fazer um belo filme.
obrigado pela oportunidade !!!!


Concordo com o Bronz, a idéia é sensacional!
E agora que o Daniel deu a dica, achei mais interessante ainda. Quer dizer,
pode não ser apenas provocação sem conseqüências.
Será que inscrevo um filme medonho que fiz num curso da Fundição há uma
década mais ou menos?
Faltou o Migliorin dizer se haverá sigilo quanto ao nome do
vencedor/vendedor....

Saudações,


Adorei. Tou dentro.
Vamos ter que assinar contrato?


Oi cezar
Ahahahahahahaha
Ahahahaha
;))
Vou ver se tenho alguma coisa pra ti
Ahahahahah
Sm


Uau! Adorei o nosso bom e velho dispositivo.
caralho...
bjs
Gabi.



Muito boa a idéia, é quase uma continuação do "Dispersão".
Um efeito dominó da burocracia artística.
Abraços
Roberto Bellini

incrível.../ que loucura

Artista sem idéia

incrível...

---------------

Isso só pode ser brincadeira...

---------------

Mas que loucura.
Você já tem algum interessado?
Dá pra tirar muitas conclusões deste projeto. Se ele for adiante.
Acho difícil que você consiga um trabalho bom por esse preço. E se nenhum
tiver o nível que um sujeito com o seu currículo deve demandar?
E se te impugnarem? Afinal, deus e o mundo conhecem suas intenções.
Mas achei muito interessante e queria saber se você já tem interessados (se
isso não for invadir seu projeto, é claro). Dá pra tirar algumas conclusões
dele.
Bom, interessante.
Obrigado por ter respondido.
Sucesso na empreitada,


--------------

Olha, acho que um relatório como esse, no final do proojeto pode ser mais
interessante que qualquer trabalho autoral que alguém esteja disposto a
vender. Acho muito bacana o que se pode discutir com base nos dados que você
produzirá.
Com certeza você ainda receberá muitos a-mails mais. Só começou a se
espalhar. E é uma proposta muito insólita.

Até me ocorreu um trabalho. Que eu não tive coragem de assinar porque seria
demitido com louvor. Trabalho em uma multi-nacional.
Vou atachá-lo.

Sou do Rio. Na verdade, dei um pouco mais de sorte. Sou de Niterói, mas moro
aqui.

Devolvendo a provocação, acho que você não deveria parar por causa do
sucesso do primeiro e se desafiar a participar também. Como hours concours,
é claro.

Com a grana que ganhei com meu primeiro curta, produzi outros
dois. E não foi perto do seu prêmio.
Não acho incrível que pessoas vendam seus trabalhos. Acho impressionante que
elas topem retirar seus nomes dos créditos. Achei que curtas e video-arte
fossem quase uma ideologia. Isso é de um desprendimento impressionante. E
tão impressionante, só você, assumindo a autoria do trabalho de um segundo.

Mas não tomarei mais seu tempo. Volto a dizer: muito interessante.
Grande abraço e sucesso,

" A regra é clara" - por e-mail

Artista sem idéia


essa proposta é seríssima e acredito que muitas pessoas não entenderam.

estou cansado de botar meus filmes em mostras, eventos, programas tudo que é
lugar e não receber um puto, as pessoas acharem que tão fazendo favor em
passar,.... eventos onde muitas vezes todos pagam ingresso, inclusive eu
infelizmente realizo eventos onde não pagamos aos realizadores e blá,
blá,blá

Afinal, quando um pseudo artista realiza um trabalho, ele quer o que ?
Que haja uma reflexão a partir das idéias postas no filme,
ou que haja uma reflexão a partir do nome dele a partir das idéias.
chegou um tempo que glauber não botava mais créditos nos filmes, e é isso
aí.
que se foda o nome, o que importa é o filme.
e se a pessoa tiver um trabalho autoral mesmo vai todo mundo ver o filme e
falar assim....
" puxa, esse novo filme do cezar até parece um cacá diegues ( caso ele se
inscreva ) "

Precisamos de iniciativas como essa !!!!
honestas,
Qué, qué, num qué, num qué !
Parafraseando Arnaldo Cezar Coelho
" A regra é clara ! "
até
Pedro Bronz


Da-lhe, Pedro Bronx!

O seu primeiro email me pareceu ironico, mas agora
concordo geral contigo: neguinho fica nesse "fetiche
da autoria" e nao se toca que sao 1000 dolares
oferecidos em troca de um produto audiovisual!
Como essa proposta mexe com a "vaidade artistica" dos
nossos grandes cineastas!
Quem nao gostou que va pra Organizaçao, pagar pro
publico assistir seu filme!
Abraçao,
Dado

mUUUito boa essa ideia - por e-mail

Artista sem idéia


mUUUito boa essa ideia. quanto vale o video? quanto vale a ideia? quanto vale sua realizacao? quanto vale a assinatura? quanto vale? duca!
vou ver se mando.
abz

tremendo mau gosto - por e-mail 5

Artista sem idéia


achei o projeto de um tremendo mau gosto... um artista sem idéia é o mesmo
que um corpo sem alma... e... me diga... o realizador que investiu tempo,
dinheiro e idéia num filme irá vender o produto assim a preço de banana? e
quem garante que as cópias enviadas não serão utilizadas para outras
finalidades? o edital do projeto/concurso foi publicado? acho estranho...

Cara,
Entendo a sua preocupação.
Bem, o artista vende se quiser, não há nenhuma imposição, é um pouco como os trabalhos que fazemos na vida. às vezes precisamos, às vezes desejamos. Freqüento muitos festivais e sei que a grande maioria dos filmes que vejo - e que já passaram por uma grande seleção - custaram menos de US$1000.00 e os seu realizadores não vão ganhar isso com eles.
Se um jovem realizador fez um bom filme talvez ele tenha grande dificuldade de exibi-lo, já passei por isso. Sendo exibida com este "extra" conceitual talvez a ela tenha muito mais espaço; abre mão dos créditos e apresenta sua obra.
Ou fazemos filmes apenas para que nossos amigos e parentes possam ver nossos créditos no final?
Olha, o que garante que as cópias não vão ser utilizadas para outras finalidades é a mesma coisa que garante que quando mandamos um filme para um festival ou para uma mostra ele não vai ser utilizado para outras coisas; confiança. É o que eu posso oferecer.
Você pode saber um pouco mais sobre mim e sobre o projeto no www.migliorin.org
Abraço
cezar Migliorin


Cezar,
Desculpe minha ignorância mas continuo não entendendo a sua proposta.
Começando pelo título: 'artista sem idéia'. É de deixar qualquer artista
intrigado já que o principal produto de um artista é a idéia. Como pode
alguém assinar um trabalho que foi produzido por outro autor? Você não acha
que o trabalho do diretor é uma visão muito pessoal? A questão da venda não
implica apenas o valor que vai se pagar pelo produto/filme, mas o fato deste
estar impregnado com a personalidade do autor/diretor. Daí vamos entrar em
outra discussaõ: a ética. Acho que o projeto não está transparente. As
intenções não são claras. Mas mesmo assim te desejo boa sorte e confesso que
não toparia vender um filme meu sem saber qual a finalidade, principalmente
por envolver outros profissionais que acreditaram tanto em mim quanto no
filme e acho que sentiriam-se traídos.
Estando você certo ou não, espero que consiga atingir seus objetivos.
Abraços.
Ps: O site é 10... não posso dizer o mesmo dos filmes pois não assisti...
espero uma oportunidade... quem sabe num festival.


Oi, legal o seu interesse,
Desculpe uma pergunta meio seca pra gente continuar a nossa conversa; que idade tens?

Engraçado, acho o projeto tão transparente, deixo tudo tão claro; quanto pago, explico que não vou alterar nenhum corte do filme, explico que vou assumir a autoria etc.
As tuas perguntas fazem parte da própria ação do projeto, me parecem perguntas felizes e importantes; porque assinamos nosso trabalho e a faxineira ou o marceneiro não? Será que quando dirigimos algo é o nosso olhar que olha ou somos tão formados pelas formas do mundo que não vemos mais nada; existe um sujeito que olha ou uma pessoa que é só olho e olha o que o mundo diz que deve ser olhado?
Obrigado pelo elogio ao site, vou avisar o Paul Ricketts que o fez.
Acho que as questões que v. se coloca já são parte importante do sucesso desse projeto.
Obrigado pelo interesse.
abs
Cezar

idade? não importa... bem, concordo com alguns pontos, mas discordo em
outros... vamos tentar ser bem objetivos... quem disse que a faxineira e o
marceneiro não assinam o filme? eles são citados nos créditos... com relação
ao trabalho de direção, depende se o cara tem senso crítico apurado ou
não... claro que até um crítico é influenciável, mas não por qualquer
merda... você me fez refletir e conclui para mim que ninguém é dono de uma
idéia pois estas certamente foram influenciadas por outras idéias anteriores
a ela e portanto não passam de releituras... imagino os primeiros pensadores
do mundo, quando não existia nada, nenhum livro... estes sim tiveram idéias
originais mas acredito também que só serviram de veículo pois a idéia não é
algo palpável, é algo que está no ar, no cosmo e quem tiver com as antenas
bem direcionadas vai capturar... mas não concordo com o fato da compra da
autoria de um projeto... é melhor que não tenha créditos, deixando assim os
autores anônimos ou então que use um pseudônimo se o autor não quer
aparecer... mas vamos sair da utopia e cair no mundo real... quem não
gostaria de saber quem é o autor de um trabalho que achou interessante?
quando assistimos um filme ou uma novela, entendemos o estilo de trabalho
daquele diretor... concluindo... acho esse lance de 'artista sem idéia' uma
posição um tanto anarquista... e pra mim não funciona nem o anarquismo, nem
o comunismo ou o socialismo... o mundo é capitalista mesmo.
Abraços.


é Renata, como o mundo é capitalista mesmo, como v. diz, me manda um
filme e se eu gostar eu compro.
Vamos combinar assim?
Estou aguardando.
Sobre "quem não gostaria de saber quem é o autor real", te digo, o
filme que eu vou comprar só vai existir para o mundo pq eu estou
comprando, se eu não fizesse a mediação ele não existiria.
Ou melhor, para esse filme existir o autor deve desaparecer.
é tão absurdo que chega a ser bonito.
abs.
cezar

se fosse o caso, faria um filme com o tema proposto por vc... mas não
mandaria um filme que já estivesse pronto.



ei...
sugestão a todos...
ao invés de discutirmos assuntos que já estão 'batidos'como o que é arte e
qual a função do artista, ou arte x indústria, alguém poderia propor pensar
assuntos mais atuais como a questão da fama, por exemplo... acho bobagem
desmerecer o profissionalismo do artista, seja ele medíocre ou não...
afinal... médico é médico, artista é artista, burocrata é burocrata, caralho
é caralho... e óbvio é óbvio.........